Gauguin: Viagem ao Taiti
O pintor frances Paul Gauguin (Vincent Cassel) abandona a familia e viaja ao Taiti para buscar inspiracao para suas obras. Instala-se em uma cabana no meio da floresta, fica proximo do povo maori e logo se apaixona por uma jovem que se tornara musa de suas pinturas
Gauguin: Viagem ao Taiti (Gauguin - Voyage de Tahiti). França, 2017, 100 minutos. Drama. Colorido. Dirigido por Edouard Deluc. Distribuição: Focus Filmes
Um belo drama romântico sobre os últimos dez anos de vida do pintor francês
Eugène-Henri-Paul Gauguin, ou só Paul Gauguin (1848-1903), um dos maiores nomes do Pós-Impressionismo. Com uma fotografia esplêndida do verdadeiro Taiti (localizado numa ilha perdida entre a Nova Zelândia e o Hawaí), o filme acompanha a segunda viagem do artista à Polinésia, ocorrida em 1891. Com o desejo fervilhante de buscar inspiração artística em novas culturas, Gauguin deixou a esposa e os cinco filhos na Europa para viver na selva da Mataiera com o povo maori - ele viajou para lá sozinho em três ocasiões, sendo a última de forma definitiva, onde viveu até sua morte, em 1903). Isolado do mundo numa cabana paupérrima, aproximou-se de uma cultura inteiramente oposta da europeia, trazendo assim um outro olhar para seu processo de criação nas obras plásticas. Nesse período impõe um colorido especial aos quadros, com uma iconografia exótica do povo taitiano, das praias paradisíacas e, acima de tudo, das mulheres negras. Uma de suas marcas do período foi a mistura do erotismo à ingenuidade ao retratá-las. Nesse segundo momento que esteve no Taiti (e o filme aborda isto da metade para o final) conheceu sua musa inspiradora, Tehura, 35 anos mais jovem (ele tinha 48, e ela, 13), com quem teve um filho, que morreu poucos dias depois de nascer.
Vincent Cassel encaixou-se bem no papel do protagonista que foi uma figura central da cena artística parisiense do final do século XIX. Para mim é o ator mais versátil da França atual - ele vem muito ao Brasil, já filmou várias vezes em nossa terra.
É o segundo trabalho do diretor Edouard Deluc, com roteiro dele escrito em parceria com outros três roteiristas, a partir de um livro desconhecido do próprio Gauguin, “Noa noa”; dentre os roteiristas estão Thomas Lilti, de “Hipócrates” (2014), e Etienne Comar, de “Meu rei” (2015), um drama pesadíssimo com o mesmo Cassel.
Sobre o Colunista:
Felipe Brida
Jornalista, cr?tico de cinema e professor de cinema, ? mestre em Linguagens, M?dia e Arte pela PUC-Campinas. Especialista em Artes Visuais e Intermeios pela Unicamp e em Gest?o Cultural pelo Centro Universit?rio Senac SP, ? pesquisador de cinema desde 1997. Ministra palestras e minicursos de cinema em faculdades e universidades, e ? professor titular de Comunica??o e Artes no Imes Catanduva (Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva), no Senac Catanduva e na Fatec Catanduva. Foi redator especial dos sites de cinema E-pipoca e Cineminha (UOL) e do boletim informativo "Colunas e Notas". Desde 2008 mant?m o blog "Cinema na Web". Apresenta quadros semanais de cinema em r?dio e TV do interior de S?o e tem colunas de cinema em jornais e revistas de Catanduva. Foi j?ri em mostras e festivais de cinema, como Bag?, An?polis, Bras?lia e Goi?nia, e consultor do Brafft - Brazilian Film Festival of Toronto 2009 e do Expressions of Brazil (Canada). Ex-comentarista de cinema nas r?dios Bandeirantes e Globo AM, foi um dos criadores dos sites Go!Cinema (1998-2000), CINEinCAT (2001-2002) e Webcena (2001-2003). Escreve resenhas especiais para livretos de distribuidoras de cinema como Vers?til Home V?deo e Obras-primas do Cinema. Contato: felipebb85@hotmail.com
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