RESENHA CRÍTICA: Será Que? (What if?)
Muito acima da média do gênero, o filme pode ter melhor sorte
Será Que? (What if?)
Irlanda, Canadá, 2013. 98 min. Direção de Michael Dowse. Roteiro de Elan Mastai baseado em peça de T.J.DAwe e Michael Rinaldi (estes dois autores da peça original Toothpaste and Cigars). Com Daniel Radcliffe, Zoe Kazan, Megan Park, Adam Driver, Mackenzie Davis, Rafe Spal, O´Ona Chaplin.
Este título misterioso brasileiro só vai ajudar a afundar uma comédia divertida e inteligente que merecia mais sorte. Custava por algo como “Será Que É amor”, ou “Será Que é Apenas Sexo”? Por que deste jeito que está, ainda por cima mal lançado (em bairros populares), poucos vão se dar ao trabalhar de tentar decifrar este filme que podia - repito - ser promissor. Ate Portugal fez melhor com “O Amor é Estúpido”, Canada (“The F. Word”) ou Chile (“Só Amigos?”). Não encontrei porém sinal de quanto rendeu o filme no mercado americano o que me faz deduzir que ele saiu direto pay per view ou equivalente. Uma pena.
A esta altura do campeonato Daniel Radcliffe não tem mais nada a tentar provar. O ex- Harry Potter já fez Broadway e vários filmes e tem perfeito controle até deste gênero difícil porque tem que procurar ser engraçado e romântico (ou seja, um pouco tolo como todo mundo que se apaixona!). Está simpático e discreto, perfeito para companheiro da nova revelação Zoe Kazan, neta do lendário Elia Kazan, e que por algum milagre de iluminação ou maquiagem está muito mais bonita e agradável do que no filme anterior, Ruby Sparks (que havia sido escrito por ela, no entanto o texto aqui é mais fluente, inteligente, tem melhores sacadas e frases). Além de invenções com animação. Oficialmente uma coprodução entre Irlanda e Canadá, passando-se basicamente em Toronto com paradas em Dublin e menção passageira do Brasil. Que bom que mudaram de ideia de tiraram o pálido Casey Affleck e Mary Elizabeth Winstead. O diretor Dowse é canadense que dirigiu e escreveu antes os bem inferiores Os Brutamontes (Goons, com Seann William Scott, Jay Baruchel, 11) e Uma Noite Mais Que Louca (Take me Home Tonight, 11, com Topher Grace).
Com um elenco de várias garotas atraentes e que promissoras (ainda que seja difícil guardar o nome delas), reconhece-se ao menos o ator Rafe Spall (filho de Timothy Spall e revelado em A Vida de Pi) e o ator do momento, da série de TV Girl, Adam Driver. Temos ainda a bela filha de Geraldine Chaplin que se chama Onna Chaplin (que é o nome da avó dela), e do fotógrafo chileno Patrício Castillo! Faz Jennifer e parece promissora. Enfim, muito acima da média do gênero, será que “Será Que?” pode ter melhor sorte!
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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