RESENHA CRÍTICA: Chappie

Foi decepção de bilheteria, o filme tão ridículo que é quase impossível de conter o riso no seu final

16/04/2015 14:57 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: Chappie

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Chappie (Idem)

África do Sul, 2015. 120 min. Direção de Neill Blomkamp. Roteiro de Neill e Terri Thatchell. Com Hugh Jackman, Dev Patel, Sharlto Copley, Ninja, Yo-Landi Visser, Jose Pablo Cantillo, Sigourney Weaver, Brandon Auret, Anderson Cooper.

Depois de uma estreia promissora o diretor sul africano começou a se perder com aquele Elysium (13) que era uma bobagem mas que tinha o charme da presença dos brasileiros Alice Braga e Wagner Moura. Ficava a suspeita de que ele era daqueles que iria se repetir na insistência de usar sempre um mesmo ator, apesar de apenas sofrível, o Sharlto Copley que aqui é a voz do protagonista, o robot chamado Chappie. Ele faz uma figuração também na cena final quando a polícia esta tentando abrir o portão, ele é um dos guardas com cabelo longo. Os bandidos são feitos por um grupo de rap local chamado Die Antwoord, por isso que eles aparecem tão canastrões e amadores (os nomes também não ajudam, Ninja, Yo-Landi Visser).

E variantes do mesmo ambiente (a África do Sul conturbada pela violência, desta assumindo mesmo o problema de luta nas ruas tão graves que quando estive lá recentemente não queriam que fosse visitar Johannesburg e só podia sair com escolta policial). Procurando ser realista, com uma fotografia feia e atores que parecem amadores de tão ruins, este novo filme sobre robots deve passar para a História como o pior trabalho de toda a carreira de Hugh Jackman, que ficou ridículo com cabelinho na testa e não conseguiu se encontrar num patético papel de vilão, que do meio para o filme enlouquece e sai atrás do inventor deles (feito pelo indiano Dev Patel, que faz tudo igual desde Quem Quer Ser um Milionário?).

No enredo, num futuro próximo o crime é patrulhado por um policial mecânico, robots, que foi criado por uma fabrica dirigida por uma mulher (Sigourney Weaver, outra coitada que entrou nesta fria). Se a princípio há um certo interesse, a situação vai piorando quando entra em cena um estúpida quadrilha de assaltantes, que ataca o jovem inventor e o robot chamado de Chappie, que é quase destruído mas depois reciclado de tal forma que virou o primeiro a ter uma inteligência artificial (ainda que pensasse como criança).

Não sei se faltou dinheiro mas o filme na hora final vai ficando cada vez mais absurdo a ponto de Jackman lutar para impor seu modelo, maior e segundo ele mais eficiente. O filme fica tão ridículo que é quase impossível de conter o riso e até mesmo a conclusão pseudo surpresa. Foi decepção de bilheteria (30 nos EUA, 49 no resto do mundo) e desprezado pela crítica.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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