RESENHA CRÍTICA: Comeback - Um Matador Nunca se Aposenta
Aqui está um filme policial urbano de um diretor pouco conhecido estrelado pelo já saudoso Nelson Xavier
Comeback - Um Matador Nunca se Aposenta
Brasil, 17. 1h29. Direção e roteiro de Erico Rassi. Com Nelson Xavier, Wellington Abreu, João Abreu, Eucir de Souza, Marcos de Andrade, Everaldo Pontes.
A safra deste ano do cinema brasileiro foi tão infeliz que ainda estou procurando ver apenas os projetos mais promissores e interessantes, ainda que a julgar pela presença do público na sala o resultado esteja sendo mal sucedido. Aqui está um filme policial urbano de um diretor pouco conhecido vindo de Anápolis e depois de apenas um curta ganhou 2 prêmios no Festin de Lisboa. Teve a coincidência de estrear poucos dias depois do falecimento do protagonista do filme o grande Nelson Xavier, que sofria de um câncer que não o impediu de continuar trabalhando com brilhantismo. Era amigo e admirador desse grande ator, que teve interpretações notáveis durante uma longa carreira e fico contente de vê-lo nesse trabalho interessante e equilibrado (embora pudesse discutir o titulo do filme que é usado na história, já que o velho pistoleiro agora estaria tendo um “comeback” um retorno, palavra importada que duvido muito que fosse usada por gente tão do povo.
Enfim, é a historia de um homem de idade, amador, que é um pistoleiro aposentado que presta pequenos serviços ao chefão da região num trabalho que com frequência está cheio de desrespeitos e incompreensão. Sua vida é ilustrada por um livro de recortes que seriam todos os crimes e assassinatos que ele cometeu durante a vida profissional. E que apresenta sempre com o orgulho. Também tem um parente no hospital muito doente e dois sujeitos que pediram para ele conseguir duas ou três metralhadoras (e praticamente nada de mulher). Tudo caminha devagar (e tem a ajuda também de um pistoleiro jovem e rebelde) até quando o velho chega à conclusão de que tem mesmo que fazer seu retorno ...
Nelson interpreta tudo de forma discreta, sem exageros alias num elenco de quase todos desconhecidos por aqui, mas que são verdadeiros e convincentes, ainda que como costumeiros assassinos (o chefão resolve reformar o campinho de futebol do bairro e melhorar a região /periferia). Num baixo orçamento sempre convincente. Quase faroeste (o pôster faz pensar nisso) ainda assim poderia ou deveria ter um final/conclusão mais empolgante.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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