RESENHA CRÍTICA: A Múmia (The Mummy)

O melhor seria não tocar tão cedo nesta história de Múmia que nada tem a ver com o Egito e saiu no país errado! Uma besteira!

09/06/2017 17:42 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: A Múmia (The Mummy)

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A Múmia (The Mummy)

EUA, 17. 110 min. Universal. Direção de Alex Kurtzman. Roteiro de David Koepp, Christopher McQuarrie, Dylan Kussman. Elenco: Tom Cruise, Russell Crowe, Annabelle Wallis, Sofia Boutella, Jake Johnson, Courtney B. Vance, Marwan Kenzari.

 A antiga Universal (que já teve diversos nomes e hoje pertence a uma rede de televisão basicamente esportiva, a Comcast) tem andado numa fase de poucos êxitos e certamente vendo o sucesso da Disney remontando e refazendo seus antigos sucessos, resolveu aderir também a essa política criando ao chamado “Dark Universe”, ou seja, dentro em breve estaremos assistindo o revival dos velhos personagens de terror que a Universal registrou ainda no começo dos anos 1930 e mantém os direitos até hoje. Nomes icônicos como Drácula, O Homem Invisível, O Lobisomem, O Fantasma da Opera, O monstro da Lagoa Negra (meu favorito), Frankenstein (para esse papel já chamaram Javier Bardem mas ainda não indicaram quem iria ser A Noiva de Frankenstein). Francamente uma descoberta muito tardia e sujeita ao fracasso ao julgar por esta primeira experiência que é provável que vá muito mal de bilheteria enfrentando a estrondosa Mulher Maravilha e os Piratas (aqui no Brasil foi pior ainda porque o filme só foi apresentado para a imprensa numa sessão das nove da noite justamente na véspera da estréia, prejudicando assim os jornalistas que não tiveram tempo ou possibilidade de publicar a crítica no dia da estréia como se tornou costume). Isso não sucedeu, por exemplo, nos EUA onde estreara apenas na sexta feira mas teve criticas lamentáveis, nas quais incluíram o decadente Tom Cruise, que aliás passa o filme com cara de espantado, agindo de forma absurda, ora querendo uma coisa, ora fazendo outra e principalmente sem qualquer lógica ao final.

Não resta a menor dúvida sobre a trilogia anterior chamada de A Múmia, de 1996, quando ela foi ressuscitada em grande estilo pelo diretor Stephen Sommers e que fez tanto sucesso que teve pelo menos duas continuações. São duas as razões desse êxito: primeiro a múmia não é levada a sério. Esta é uma aventura no estilo Indiana Jones, com muita comédia, muita correria, a partir do próprio herói, Rick O´Connell que é feito por Brendan Fraser. Também a heroína, Rachel Weisz é uma arqueóloga que não tem medo do perigo. Mas o filme dava certo principalmente por causa de seus efeitos especiais que dão vida ao antigo Egito e suas lendas misteriosas. A Múmia é uma aventura com humor para ninguém botar defeito.

Não é o que sucede aqui, que deve ter sido resultado de um diretor pouco conhecido e que não revela maior talento, o tal de Alex Kurtzman (que era basicamente produtor e roteirista). Realizou apenas Bem Vindo à Vida (People Like Us, 12, com Chris Pine e Michelle Pfeiffer). Aqui ele fica devendo o humor, o excesso de figuras que parecem zumbis e logicamente se assemelham a famosa série de TV. O coitado do Tom Cruise tem o que muita gente julga o pior momento de sua carreira (vai ver é o personagem que é o ruim, já que não sabe o que fazer). Muito sombrio ele começa com uma imagem que poderia ser curiosa, quando descobrem caixões de cavaleiros da antiguidade (o que isso tem a ver com o resto da história com zumbis é difícil explicar). O fato é que a história pula para o Iraque quando Cruise, um sargento do exército e um parceiro, Chris Vail (Jake Johnson), outro que vai virar zumbi dali a pouco, resolvem roubar peças antigas e raras, já que ali foi antigamente a Mesopotâmia. Que nada tem a ver com o Egito (e repetem isso no diálogo como se repetição fizesse alguma diferença). O fato é que eles despertam uma malévola bruxa que não é propriamente uma Múmia, mas que fará a grande vilã (porque ela tem duas pupilas em cada olho, é outro mistério!). Quem faz o papel infeliz é uma certa Sofia Boutella, uma argelina que já esteve em Kingsman e Star Trek. Apesar de se arrastar pelo chão e inventar truques para controle Cruise, ela não supera outra figura esdrúxula que vem a ser o gordo Russell Crowe, que não se sabe bem se é mocinho ou vilão ou se pode vir a ser figura continua de outros da bendita série tão bem apelidada de Universo Sombrio (já disse que o filme é escuro e sombrio? Pois confirmo). Temos ainda a bela loira mas fria, sem emoção, Annabella Wallis, que faz outra cientista, coisa que o filme tem em abundancia e é sobrinha do falecido Richard Harris (ela fez Annabella e o recente Rei Arthur).

No final das contas, há uma disputa por uma jóia vermelha que pertenceria ao Deus da morte, mas a esta altura do filme ele já não tem pé nem cabeça. Se for a sua, da para ver Cruise mergulhando por criptas, fugindo por estradas de ferro e querendo a qualquer custo se tornar herói num filme que simplesmente não o comporta. Na verdade, se tiveram bom senso e for mesmo fracasso, o melhor seria não tocar tão cedo nesta história de Múmia que nada tem a ver com o Egito e saiu no país errado! Uma besteira.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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