RESENHA CRÍTICA: Tomb Raider: A Origem (Tomb Raider)

O filme me pareceu tão constrangedor que por vezes chega a lembrar o horrível A Múmia com Tom Cruise

22/03/2018 14:39 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Tomb Raider: A Origem (Tomb Raider)

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Tomb Raider: A Origem (Tomb Raider)

EUA, 18. 1h58min, Direção de Roard Uthaug. Com Alicia Vikander, Dominic West, Walton Goggins, Daniel Wu, Kristin Scott Thomas, Derek Jacobi. Roteiro de Geneva Robinson, Alastiar Siddon.

É engraçado como nos últimos tempos o cinema americano, Hollywood basicamente, tem contratado diretores estrangeiros dos lugares mais exóticos para realizar principalmente filmes de ação, neste caso com um de nome esquisito de Roar Uthaug, um norueguês (nascido em 1973) que fez o primeiro trabalho em 2006, Fritt Vilt. E teve pelo menos três filmes exibidos aqui, Presos no Gelo (06), Fuga (12), e principalmente o único que assisti, A Onda (15) que é um thriller de catástrofe passado num “fjord” repleto de turistas que entra em colapso provocando uma espécie de tsunami gelado.Era divertido para quem gosta de ver tragédias de ação mas nada que garantisse a qualidade desta ressurreição de Tomb Raider.

Na verdade, tenho que confessar que não sou especialista ou sequer grande conhecedor de videogames. Mas li bastante sobre a lendária figura da sexy heroína feminina, tendo o cuidado de assistir os dois filmes estrelados por Angelina Jolie, no auge da beleza e juventude, o Tomb Raider (Idem, de 2001), feito por Simon West, outro que sumiu, e co-estrelado pelo pai dela Jon Voight e o futuro Bond Daniel Craig. Na época escrevi: “Angelina Jolie foi a escolha perfeita para o personagem (e uma rara heroína para filme de ação!). Mesmo que o filme não seja lá essas maravilhas e o personagem não seja exatamente um desafio dramático para uma atriz já premiada com o Oscar, raramente ela esteve tão bonita, tão bem humorada”. Mas para ser justo tenho que levar em conta que os fãs da personagem fizeram muitas restrições à atriz! O filme seguinte perdeu-se um pouco mais, A Origem da Vida (03), que acabou sendo o ultimo trabalho do diretor holandês Jan de Bont, que não morreu, se aposentou! Escrevi: “Foi total fracasso de bilheteria este segundo filme com a heroína Lara Croft (a desculpa oficial foi que o personagem de videogame já tinha caído de moda). Não há desculpa para o diretor Jan de Bont (Twister) ter voltado ao cinema numa aventura tão fraca, que consegue ser ainda menos convincente do que a anterior (eu fui dos poucos que não se decepcionou com o primeiro até porque não esperava nada) achei interessante haver uma heroína feminina com a força, a agilidade, a iniciativa e a temeridade de Lara Croft.Gerard Butler era o galã (o IMDB registra também outras aventuras de Lara que são do Play Station: Legend, 06, Underworld, 08 e outros).

De qualquer forma, nada explica ou justifica o equívoco que foi chamar como protagonista a atriz sueca Alicia Vikander (1988-) uma figura minúscula de 1 metro e 66 (acho que deve ser ainda menos, aumentaram o tamanho) e que foi ganhadora de um prematuro Oscar de coadjuvante (por A Garota Dinamarquesa, 15). E de um Globo de Ouro por Ex-Machina Instinto Artificial (14). Ainda que seu feito mais notável seja ter se casado com o galã Michael Fassbender desde outubro de 2017.

Ela é “mignon” demais, usando uma velha expressão. Que significa que é pequenina e embora tentem transformá-la em atleta, colocando-a como aprendiz em luta violenta e depois numa perseguição por Londres de bicicleta! O único esporte que ela escapa é correndo pela selva (com velocidade artificial) ou lutando com jovens chineses pelas barcaças de Hong Kong (que é coprodutor do filme). Observando ela mais em detalhe, nem é especialmente bonita, nem muito boa atriz, com um nariz com defeito (não tinha prestado atenção antes). Sua figura é especialmente inadequada para ser o que deveria ser uma protagonista forte e que saberia fazer alguma coisa a mais além de ficar pulando em sobras de aviões, ou pior ainda em cavernas misteriosas de uma pseudo deusa oriental que no final das contas é super falada como uma figura terrível e mal aparece! Na verdade, o filme novo chega a ser constrangedor com a heroína pequenina de uma família de milionários em que o pai dela desapareceu procurando uma ilha num oceano diabólico. A herdeira em vez de assumir a fortuna que tornaria tudo mais fácil, vai atrás dele e se envolve de longe com um oriental, vivido pelo astro de Hong Kong, Daniel Wu (nem romance os dois chegam a ter direito na verdade fora alguns flertes passageiros, nada rola!).

O filme me pareceu tão constrangedor que por vezes chega a lembrar o horrível A Múmia com Tom Cruise, principalmente na parte final quando eles vão cair nas garras de um maluco (ao menos o ator Walton Goggins é um dos vilões favoritos do cinema atual). Não dá nem para ficar interessado no final que seria inesperado porque tudo é tão precário e mesmo as cenas de ação, com a coitada pulando de um lado para outro, são excruciantes. Mas insistem em já apontar para uma continuação, que espero que não aconteça ao menos com essa mocinha!

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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