RESENHA CRÍTICA: The Last Tycoon (O Último Magnata)

Uma série que parece ser apenas uma desenfreada confusão que pouco tem a ver com a verdadeira e lendária Hollywood

28/07/2017 10:45 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: The Last Tycoon (O Último Magnata)

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The Last Tycoon (O Último Magnata)

Criador Billy Ray. 9 capítulos. Com Matt Bomer, Kelsey Grammer, Lilly Collins, Dominique McElligot, Rosemarie de Witt, Enzo Cilenti, Mark O´Brien, Saul Rubinek, Sharon Lawrence, Jennifer Beals.

Não conheço bem a carreira de Billy Ray (Jogos Vorazes, O Preço de uma Verdade, Capitão Phillips) que vem a ser o responsável por esta nova produção da TV (no caso, de 9 episódios, talvez mais se for sucesso), coprodução da Amazon Studios, Tri Star, Sony que estreou esta semana nos EUA. O livro original do celebre F. Scott Fitzgerald (1896-1940) não foi concluído em vida, mas foi adaptado para os primeiros anos da TV 5 vezes, de 49 a 76. A versão mais conhecida foi para o cinema, como O Último Magnata e foi o último trabalho do lendário diretor Elia Kazan (Uma Rua Chamada Pecado), com adaptação do famoso dramaturgo inglês Harold Pinter. Chegou a ser indicado ao Oscar de direção de arte mas não fez o sucesso esperado, apesar de ter um elenco classe A, começando por Robert DeNiro que faz o personagem título, um produtor de cinema de Hollywood, que teria sido inspirado no primeiro gênio de na produção de filmes, Monroe Stahr, na verdade então o marido da estrela Norma Shearer (1902-83) na Metro, onde virou garoto prodígio e morreu cedo, Irving Thalberg (1899-1936), até hoje nome de prêmio! O elenco do filme não pode ser mais brilhante apresentando: Tony Curtis, Robert Mitchum, Jeanne Moreau, Jack Nicholson, Donald Pleasence, Ray Milland, Dana Andrews, Theresa Russell, John Carradine.

Agora vamos ver o que a série pode oferecer. Qualquer semelhança com o recente Feud (sobre Bette Davis e Joan Crawford) parece proposital e de discutível impacto, já na primeira cena ficamos sabendo que a protagonista estrelinha de sucesso morreu num grande incêndio na mansão onde vivia (quem faz o papel é Lily Collins, filha de Phil Collins mas extremamente parecida com outra até mais famosa, também inglêsa, Lily James que fez a Cinderela). E assim começa ela visitando o estúdio e Matt Bomer é apresentado como o grande e jovem produtor, eles nem tentam deixar parecido com o Thalberg que era magro e feioso, enquanto Bomer é bonito, bom ator, exuberante. Acho discutível que o espectador queira ver em detalhes os bastidores de um tipo de estúdio e cinema que é completamente diferente do hoje em dia. Ou seja, os pseudo biografados a esta altura já estão todos mortos. E os problemas, discussões e situações completamente opostos aos métodos e tecnologia atuais. Fofocas quase 70 anos depois não funcionam. Nem os sofrimentos do povo destruído pela Depressão Econômica que serve para ter o lado social também no filme.

Por outro lado, a direção de arte é bem cuidada, os escritórios parecem todos redesenhados e tinindo de bonitos. Mas a verdade histórica é muito variável ainda que interessante, por exemplo, já há a interferência dos alemães, oficiais e nazistas, que forçam os estúdios a continuar a produzir filmes para a Alemanha fazendo tudo para encobrir seus crimes (Hitler adorava musicais, em especial operetas). Mesmo que os chefes de estúdios fossem nazistas e perseguidos porque eram também judeus. Ou seja, é uma mancha feia na história de Hollywood. E como não existe mais a MGM de antigamente, eles fotografam cenas diante dos famosos portões da Paramount, que fica noutro bairro e nada tem a ver com o personagem! Há uma mulher também xingando o produtor e dando-lhe um tapa por causa do marido que seria vítima e temos então o primeiro sinal de um fato real, o protagonista não tinha saúde e morreria muito jovem. Também muito mal desenhada é a figura do chefe da Metro, Louis B. Mayer que passa tempo observando os sem teto. Enfim, a série parece apenas uma desenfreada confusão que pouco tem a ver com a verdadeira e lendária Hollywood.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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