RESENHA CRÍTICA: Em Busca de Fellini (In Search of Fellini)

Posso entender a boa intenção do diretor assim como sua incompetência em transcrever a obra de um artista com sua modesta capacidade. Para quem venera Fellini, o filme é uma patética ofensa

05/12/2017 15:23 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Em Busca de Fellini (In Search of Fellini)

tamanho da fonte | Diminuir Aumentar

Em Busca de Fellini (In Search of Fellini)

EUA, 2017. 1h33 min. Direção de Taron Lexton. Roteiro de Nancy Cartwright, Peter Kjenaas. Com Maria Bello, Ksenia Scio, Mary Lynn Rajskub, Lorenzo Balducci, Andrea Osvart, Dan Van Husen, Victoria Clare, Rod Fielder.

Há pouco mais de um ano, quase dois, uma amiga estava decorando um restaurante aqui em São Paulo onde a motivação seria a obra de Fellini. Como eu tinha alguns posters de filmes do genial diretor italiano, tive prazer em lhe dispor esses cartazes. Foi quando veio visitar uma repórter de um grande jornal de São Paulo, que olhou os posters, o nome Fellini e comentou: “Ah, quer disse então que todo o restaurante será decorado com temas felinos, de gatos!”. Ela teve o cuidado de lhe explicar quem era Federico e sua importante na história do cinema.

Foi desde então que eu pedir qualquer ilusão a respeito da cultura e interesse atual de qualquer artista que tenha mais de cinco, tá bom, dez anos de carreira. Alguns resistentes como eu ainda mantém a admiração pelo genial diretor (e um belo exemplo disso foi o filme americano, Sob o Sol da Toscana, 03, com Diane Lane, dirigido por uma mulher desconhecida Audrey Wells, mas que conseguiu recriar o tom da Itália, do interior da Toscana, homenageando não apenas Fellini mas o grande diretor, Mario Monicelli, que pouco depois se suicidou).

Fellini foi muito cultuado recentemente inclusive pelo amigo Ettore Scola, por sinal em sua última aparição com Que Estranho Chamar-se Federico! (13). E outros existem, mas nenhum tão tolinho, tão incompetente e por vezes ridículo e mal informado como esta fitinha sobre uma garota tímida do Ohio Lucy (Ksenia) que aos 20 anos, continua ligada na mãe (Bello) e tem admiração pelo diretor. Mas tem a chance de fazer uma viagem à Itália, onde ilogicamente descobre o amor. É tão visível que o autor do filme é incompetente e ignorante que chama a viagem de bizarra e diversas vezes brinca fazendo piadinhas sobre seu estilo de cinema ou narrativa. Só merecia uma vaia (ao menos se deu ao trabalho de conseguir uma pontinha para uma verdadeira estrela de Fellini, uma das poucas vivas, que é a alemã Barbara Bouchet, ainda conservada por plásticas e que faz uma aparição como hostess enquanto havia sido a dançarina de Charity Meu Amor, de Fosse, 68, claro que inspirado em Fellini!).

Mas fica por aí o uso de imagens rápidas de filmes, de lugares turísticos da Europa, é tudo muito vago e soa muito falso com pseudo-substitutos (Nancy Cartwright como Cosima, passagem muda de Mariano Aprea como Fellini, Bruno Zanin que esteve em Amarcord. Todos puros figurantes sem a menor importância). Aliás, posso entender a boa intenção do diretor assim como sua incompetência em transcrever a obra de um artista com sua modesta capacidade. Para quem venera Fellini, o filme é uma patética ofensa.

Linha
tamanho da fonte | Diminuir Aumentar
Linha

Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

Linha
Todas as máterias

Efetue seu login

O DVDMagazine mantém você conectado aos seus amigos e atualizado sobre tudo o que acontece com eles. Compartilhe, comente e convide seus amigos!

E-mail
Senha
Esqueceu sua senha?

Não é cadastrado?

Bem vindo ao DVDMagazine. Ao se cadastrar você pode compartilhar suas preferências, comentar ou convidar seus amigos para te "assistir". Cadastre-se já!

Nome Completo
Sexo
Data de Nascimento
E-mail
Senha
Confirme sua Senha
Aceito os Termos de Cadastro
30 fotos grátis na 1a compra BF3