RESENHA CRÍTICA: Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso (Suburbicon)

Faz tempo que não vejo um script tão mal delineado, sem estrutura, sem humor, sem graça. Lamentável

21/12/2017 09:30 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso (Suburbicon)

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Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso (Suburbicon)

EUA, 2017. 1h45min. Direção de George Clooney. Roteiro dos Irmãos Coen, Clooney e Grant Heslov. Com Matt Damon, Julianne Moore (em papel duplo), o menino Noah Jupe, o menino Tony Espinosa, Oscar Isaac.

Lamento desapontar as fãs do ator, galã e ocasionalmente diretor George Clooney, que com frequência tem errado tristemente numa série de filmes infelizes (como os recentes, e muito fracos, Os Caçadores de Obras Primas, 14, Tudo pelo Poder, 11, a fracassada comédia ainda que divertida, O Amor Não Tem Regras, 08. Os melhores foram os que fez no começo da mania de virar realizador, Confissões de uma Mente Perigosa, 02, e Boa Noite e Boa Sorte, 05). Ele fez 3 filmes com roteiro dos Coen, mas como ator e este é o primeiro deles que dirige. Mas também meteu o bedelho no script e com certeza daí vem o monumental fracasso. Não passou de cinco milhões e quinhentos mil de bilheteria depois de ter sido vaiado no Festival de Veneza.

Tudo merecido, este ano eles não vão ao Oscar. Difícil entender e explicar porque tal fracasso, tão mal resolvido. Mesmo com o fiel escudeiro ali perto, falo do sempre esforçado Matt Damon (que aqui faz o protagonista de maneira neutra) e onde até a infalível Julianne Moore funciona mal (ainda por cima em papel duplo de irmãs!). O único ator que tem certa vida e presença é Oscar Isaac, e mesmo assim numa aparição bem curta.

Suburbicon é o nome de uma comunidade de subúrbio (inspirada em fato real), que teria sido a primeira dos norte-americanos, no verão de 59. Gardner Lodge (Damon) é dos habitantes locais, que tem um bom menino como filho (Noah Jupe) embora seu coração se divida entre a mulher e a cunhada (Julianne faz as duas). A situação se complica quando pela primeira vem morar no lugar uma família de negros (e o filho deles fica amiguinho do Noah). Mas o roteiro é tão ruim, tão mal resolvido que nem ficamos entendo bem o que sucede quando os locais invadem a casa dos negros e as consequências. Pior ainda quando a casa de Gardner é invadida por dois bandidos misteriosos que exigem dinheiro e cometem até assassinato, ou assim parece. Depois quando são convidados para identificar os dois sujeitos Gardner e a mulher sobrevivente nega qualquer conhecimento.

A intenção óbvia é denunciar o racismo, mas parece que tem medo de abordar o assunto. Faz tempo que não vejo um script tão mal delineado, sem estrutura, sem humor, sem graça. Lamentável.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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