RESENHA CRÍTICA: Severina

Hirsch conseguiu conquistar um público que aprecia ainda esse tipo de romantismo melancólico

13/04/2018 11:15 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Severina

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Severina

Brasil, Uruguai, 2017. 1h43min. Direção de Felipe Hirsch. Roteiro de Florian Zeller, baseado num livro de Rodrigo Rey Rosa Preto e branco. Com Javier Drolas, Carla Quevedo, Alejando, Alejandro Awada, Alfredo Castro.

Classificado como comédia romântica, é bom avisar que não se trata de uma desvairada chanchada que poderia fazer fortunas nas salas de cinema. Este é um daqueles filmes que é preciso que existam. Uma história passada basicamente no Uruguai, Montevidéo, que foi realizada por um artista, ocasional diretor, que fez muitas experiências na companhia Ultralíricos, ou seja veio do teatro e fez antes um primeiro filme pouco conhecido chamado Insolação, 09, mais curioso que bem sucedido que chegou a passar no Festival de Veneza. Também fez experiências para o Frankfurter Buchmesse, onde foi Convidado de Honra, com um quebra cabeça em teratologia. Em 2016, estendeu o Projeto com Tragédia e Comédia Latino Americana. Este Severina vem a ser segundo filme com elenco de diversos países. Ele participou do Festival de Locarno, e teve menção do júri noutro Festival, o de Milan African Film Festival de 2018.

O resumo oficial ajuda a entender. É sobre um escritor melancólico que aspira ao sucesso, que fica intrigado com sua nova musa, uma moça que rouba livros de sua loja. Depois descobre que ela faz o mesmo em outras livrarias também e isso o deixa consumido pelo ciúme. Começa então a viver numa espécie de delírio entre ficção e realidade, mas quanto mais se aproxima dela, mais indescritível ela vem a ser. Por que será que ela rouba? Quem é homem mais velho que vive com ela? Será esta história real ou apócrifa? Será que os dois vão ficar juntos?

Não deixa de ser antiquado, mas interessante o fato de que a história se passa numa livraria a maneira antiga, hoje tão próximo de acabarem. E será que histórias de comédia românticas não ficaram fora de moda? Falado em espanhol, nem por isso deixa de ser um filme brasileiro, que não evita a nostalgia de um tempo que esta se acabando. Nos Festivais internacionais de que participou, Hirsch conseguiu conquistar um público que aprecia ainda esse tipo de romantismo melancólico (dividido em prólogo, capítulos etc.) ainda com referencia a Nouvelle Vague, citações de Jorge Luis Borges e ainda por cima dedicado ao falecido cineasta, Hector Babenco, que como o filme tem dupla nacionalidade, argentino e brasileiro.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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