A GRANDE VIAGEM DA SUA VIDA (2025)
Uma viagem que fala baixo, mas ecoa depois que termina.E Margot Robbie prova, mais uma vez, ser uma das grandes atrizes de sua geracao
A Grande Viagem da Sua Vida já entrega no título a promessa de grandiosidade emocional. E o curioso é que o filme cumpre, mas sem “gritar”. Ele prefere encantar aos poucos, como quem convida o espectador para caminhar junto. A história mistura fantasia, romance e uma pitada de melancolia moderna. É sobre caminhos não escolhidos, encontros improváveis e o medo de seguir em frente. Pode soar familiar, mas a abordagem tem delicadeza em vários momentos.
A direção aposta em um tom de fábula contemporânea. Há cores suaves, enquadramentos amplos e um certo ar de sonho acordado. Nem sempre o ritmo encontra equilíbrio, mas a intenção é nobre, interessante, curiosa.
O roteiro acerta ao não explicar demais. Deixa espaços para que o público sinta em vez de apenas entender. E isso dá ao filme um charme raro nos dias apressados de hoje.
Margot Robbie é o coração e o motor da jornada. Ela transita entre leveza e vulnerabilidade com uma naturalidade impressionante. Sua personagem poderia ser apenas um símbolo, mas ganha carne e alma em cena. Robbie domina os silêncios, os olhares perdidos, os sorrisos que escondem dúvida. É uma atuação que equilibra carisma e fragilidade. Sem exageros, sem buscar aplauso fácil. Daquelas presenças que iluminam a tela sem esforço aparente.
O parceiro de cena Colin Farrell funciona razoavelmente bem, mas é ela quem guia a emoção. A química do casal sustenta os momentos mais abstratos da narrativa, mesmo que em alguns momentos não funcione.
Visualmente bonito, emocionalmente gentil. O filme acredita na possibilidade de recomeços, e isso comove. Pode parecer simples, mas há profundidade sob a superfície luminosa.
Não fez sucesso nos cinemas, mas vale ser descoberto no streaming.
Nota: 4/5
Sobre o Colunista:
Edinho Pasquale
Editr-Executivo do site DVDMagazine
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