RESENHA CRÍTICA: S Is for Stanley

òtimo documentário sobre Stanley Kubrick, muito delicado e emocionante

12/06/2018 11:07 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: S Is for Stanley

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S Is for Stanley (Tradução literal: S é para Stanley (Kubrick))

Documentário. Inglaterra/Itália. Direção de Alex Infascelli. 78 minutos. 2015.

Esta é a história de um emigrante italiano Emilio D´Alessandro que foi para a Inglaterra sonhando em ser um grande piloto de corridas. O destino fez com que não conseguisse realizar integralmente seu sonho mas lutando como taxista certa vez foi chamado para levar ate um estúdio distante do centro do Londres, um carregamento secreto. Fez o que lhe pediram e com tanto cuidado que acabou se tornando o homem de confiança de um diretor de cinema, Stanley Kubrick (na verdade, o que veio no carro foram aqueles objetos em forma de penis, que eles usaram em Laranja Mecânica). A amizade entre eles durou cerca de trinta anos e só terminou com a morte do cineasta. Quem teve a idéia de registrar essa situação foi um jovem diretor italiano chamado Alex Infascelli (que em 2000 foi muito premiado pelo filme Almost Blue, que levou a Camera D´Or em Cannes e depois passou na Mostra de São Paulo, The Vanity Serum, 2014). Infasceli vem de família de diretores de filmes de sexo e ação (o pai era Roberto, o neto Carlo, o sobrinho Paolo e o primo Roberto , todos Infascelli). Todo o filme é muito delicado e emocionante, com depoimentos de Emilio, também de sua mulher (ele casou-se com uma inglesa sua parceira de vida, tiveram um filho que também queria ser corredor e quase morreu por isso. Estava a beira da morte e só escapou porque Stanley pagou todo o tratamento do rapaz!

Foi um amigo que me falou do filme /doc que me parece ser raro por aqui e por isso quero estender algumas coisas que aprendi a respeito do genial diretor Stanley (1928-1999), filho de emigrantes judeus (vindos da Áustria, România e Rússia). O mais notável é que ele era paciente, gentil, incansável e fanático por carros. Era muito paciente com os atores, e isso é melhor expressado com a presença de Jack Nicholson que não parava de fumar maconha e cheira cocaína, tudo absolutamente assumido. Sempre com um largo sorriso, não se menciona o caso da parceira dele em O Iluminado, que foi Shelley Duvall, que praticamente enlouqueceu ao tentar obedecer as ordens do diretor. O fato é que desde então Shelley ficou doente e nao faz tempo deu entrevista. É triste, mas virou uma senhora gorda e má aparência. E não teve vergonha de confessar que tinhas problemas mentais e precisava muito de ajuda. Até por que foram causadas também pela famosa cena de beisebol com ela e Jack Nicholson, que foi repetida 127 vezes. Que ate hoje é um recorde mundial num filme. Apesar dos problemas ela afirma que aprendeu com Kubrick mais do que com qualquer outra pessoa!

A parte que mais me divertiu no filme foi justamente um texto de ordens e obrigações que Kubrick mandou para o recém chegado e que dizia exatamente isto:

Se você abriu, feche.
Se você acendeu alguma coisa, desligue-a.
Se abriu alguma chave, torne a fechá-la.
Se quebrou, repare-o.
Se usou alguma coisa, tome conta dela.
Se pegou emprestado, devolva.
Se fez sujeira, limpe-a.
Se mudou de lugar, coloque de volta onde tirou.
Se pertence a outra pessoa, peça permissão para usar.
Se não consegue resolver uma situação, peça a ajuda de que souber fazer isso.
Se não sabe operar certa coisa, deixa ela sozinha. Abandone-a.
Se não lhe concerne, não mexa com ela.

Assim vocês sabem como ele realmente fazia filmes!.

O mais divertido talvez eles guardam para o fim, quando perguntam a Emilio qual era seu filme favorito de Kubrick e ele respondeu sem hesitar: “Spartacus”. E depois contou a reação do amigo, que lhe disse, “Pois é desse eu não gosto muito não”!

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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