O cinema perde um gênio do musical e da comédia, Stanley Donen!

Nossa homenagem a um dos maiores cineastas, de Cantando na Chuva, o Rei dos Musicais e da Comédia

23/02/2019 23:05 Por Rubens Ewald Filho
O cinema perde um gênio do musical e da comédia, Stanley Donen!

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Faleceu aos 98 anos um dos grandes diretores americanos de musicais, à vontade também na comédia sofisticada. Nascido em 13 de abril, em Columbia, SC, dançava no coro de Pal Joey, na Broadway, onde Gene Kelly foi buscá-lo para ser seu assistente. Trabalhou, assim, na coreografia de Modelos, Marujos do Amor etc. Eventualmente Kelly e a MGM lhe deram a chance de co-dirigir alguns dos melhores musicais de todos os tempos, incluindo Um Dia em Nova York, sua semi-continuação Dançando nas Nuvens e principalmente aquele que é provavelmente o melhor e mais popular filme do gênero em todos os tempos, Cantando na Chuva. O interessante é que a relação dos parceiros ficaria estremecida enquanto Donen continuaria fazendo outros musicais igualmente bem sucedidos e notáveis, como Sete Noivas Para Sete Irmãos (rodado em duas versões, uma em formato normal, outro em Cinemascope e sempre com um mínimo de orçamento), Núpcias Reais (a melhor interpretação de Jane Powell fazendo a irmã de Fred Astaire), o delicioso e elegante Cinderela em Paris (notável pelo tratamento da cor, além do único encontro entre Audrey Hepburn e Astaire) e duas adaptações competentes e fiéis de shows da Broadway, em que ele teve a humildade de co-dirigir com o veterano George Abbott, ambos utilizando a coreografia de Bob Fosse, Um Pijama para Dois e O Parceiro de Satanás, duas fitas que resistiram muito bem ao tempo (a velha amizade com Fosse que vinha desde os tempos da MGM fez com que este aceitasse uma participação especial como a Cobra em O Pequeno Príncipe, seu canto do cisne). Nos outros gêneros, podemos destacar Charada (clássico de suspense novamente com Audrey desta vez com outro mestre da sofisticação Cary Grant), o mal conhecido Um Caminho Para Dois (novamente com Audrey e com um roteiro brilhante de Frederic Raphael). Isso para não falar em outras performances notáveis em fitas menores (Jean Simmons em Do Outro lado, o Pecado; Ingrid Bergman em Indiscreta). Foi casado com a atriz Yvette Mimieux (1942- ) e outras quatro mulheres. Seria melhor esquecer seus últimos trabalhos (e uma tentativa de salvar um show da Broadway em 1993, The Red Shoes). Em 1979 substituiu o diretor John Barry (por causa de sua morte repentina) em Missão Saturno 3. O Diabo é meu Sócio foi refilmado sem ele em 2000 como Endiabrado, com Elizabeth Hurley e Brendan Fraser. Deixou todo mundo encantado quando ensaiou alguns passos ao ganhar um merecido Oscar especial em 1998. No ano seguinte, retornou num competente telefilme. Foi apelidado de O Rei dos Musicais e namorado da muito jovem e bela Elizabeth Taylor! De família judia, foi enormemente criativo, mas com o passar do tempo foi se tornando mal-humorado e briguento. O ator brasileiro José Lewgoy que fez com ele a comédia Feitiço do Rio, com Demi Moore, contava que ele tratava mal os atores e perdeu completamente o antigo charme. Eu o encontrei apenas uma vez num cinema de Nova York e morri de coragem para ao menos dar um elogio e um abraço. Ele muito discreto, fez um sim com a cabeça e entrou na sala. Não tem problema, nunca perderei as lembranças de um artista que fez tantos filmes clássicos e encantadores. Obrigado, Stanley.

Dir.: 1949 – Um Dia em Nova York (On the Town. Co-d. Gene Kelly. Frank Sinatra, Gene Kelly). 1951 – Núpcias Reais (Royal Wedding. Fred Astaire, Jane Powell). 1952 – Cantando na Chuva (Singin in the Rain. Co-d. Gene Kelly. Debbie Reynolds, Cyd Charisse). O Melhor É Casar (Love Is Better than Ever. Elizabeth Taylor, Larry Parks). Meu Amigo, o Leão (Fearless Fagan. Janet Leigh, Carleton Carpenter). 1953 – Procura-se Uma Estrela (Give a Girl a Break. Debbie Reynolds, Bob Fosse). 1954 – Bem no Meu Coração (Deep in My Heart. José Ferrer, Ann Miller). Sete Noivas Para Sete Irmãos (Seven Brides for Seven Brothers. Howard Keel, Jane Powell). 1955 –Um Estranho no Paraiso (Kismet. Ajudando V.Minnelli). Dançando nas Nuvens (It’s Always Fair Weather. Co-d Gene Kelly. Cyd Charisse, Dan Dailey). 1957– Cinderela em Paris (Funny Face. Audrey Hepburn, Fred Astaire). O Beijo da Despedida (Kiss them for Me. Cary Grant, Jayne Mansfield). Um Pijama Para Dois (The Pajama Game. Co-d. George Abbott. Doris Day, John Raitt). 1958 – Indiscreta (Indiscreet. Ingrid Bergman, Cary Grant). O Parceiro de Satanás (Damn Yankees. Co-d. George Abbot. Tab Hunter, Gwen Verdon). 1960 – Ainda Uma Vez com Emoção (Once More with Feeling. Yul Brynner, Kay Kendall). Presente de Grego (Surprise Package. Mitzy Gaynor, Yul Brynner). Do Outro Lado, o Pecado (The Grass Is Greener. Cary Grant, Deborah Kerr). 1963 – Charada (Charade. Audrey Hepburn, Cary Grant). 1966 – Arabesque (Idem. Sophia Loren, Gregory Peck). 1967 – Um Caminho Para Dois (Two for the Road. Audrey Hepburn, Albert Finney). O Diabo É Meu Sócio (Bedazzled. Raquel Welch, Peter Cook). 1969 – Os Delicados (Staircase. Rex Harrison, Richard Burton). 1974 – O Pequeno Príncipe (The Little Prince. Richard Kiley, Bob Fosse). 1975 – Os Aventureiros do Lucky Lady (Lucky Lady. Liza Minelli, Burt Reynolds). 1978 – Movie-Movie, a Dupla Emoção (Movie-Movie. George C. Scott, Trish van Devere). 1980 – Missão Saturno 3 (Saturn 3. Kirk Douglas, Farrah Fawcett). 1984 – Feitiço do Rio (Blame It on Rio. Michael Caine, Valerie Harper). 1999 – Cartas de Amor (Love Letters.Laura Linney, Steven Weber. TV).

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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