RESENHA CRÍTICA: Chappaquiddick

É sem dúvida uma história intrigante que opta por uma fotografia que faz lembrar a época e as cores usadas pelas câmeras de cinema de então

02/07/2018 16:46 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Chappaquiddick

tamanho da fonte | Diminuir Aumentar

Chappaquiddick

EUA, 18. 101 min. Direção de John Curran. Roteiro de Taylor Allen, Taylor Logan. Estrelado pelo ator Australiano Jason Clarke (que faz Ted), Ed Helms, John Gaffigan, Kate Mara, Bruce Dern (como o patriarca Kennedy e fala apenas três frases), John Fiore, Olivia Thirlby, Gillian Gordon, Katie Henoch, Taylor Nichols.

Chappaquiddick é o esquisito nome de uma ilha de Massachusetts em 1969 onde ocorreu o dito ”acidente” com Ted Kennedy que matou sua companheira de carro e colega estrategista de campanha Mary Jo Kopechne. É também um dos casos mais absurdos dos muitos que sucederam para a família Kennedy, apenas um ano apenas depois da morte por atentado do irmão mais velho Robert Kennedy e outros tantos desde a morte do presidente John Kennedy.

Não sei dizer se o filme ira passar comercialmente no Brasil, não encontrei referências a respeito, talvez porque certamente há um número muito pequeno de pessoas que ainda se lembram do caso trágico mas também patético, que viria a acabar com os sonhos de Ted Kennedy que seria o herdeiro da polêmica e até certo ponto ilustre família. Mas era muito jovem quando fiquei sabendo do caso e da situação embaraçoso para todos da família e justamente por isso demorou tanto tempo para fazerem um filme biográfico (o pseudo acidente aconteceu em 18 de julho de 1969), tanto que teve um bom orçamento (34 milhões de dólares), mas uma renda pequena (a última que encontrei fala em 17 milhões). Até porque para os próprios norte-americanos é uma historia misteriosa, cheia de complicações (a maior delas todas é a seguinte, nunca se soube e não se mostra aqui como Ted Kennedy conseguiu escapar do carro que saiu da ponte e foi cair no riacho. Nem os investigadores, nem Ted, deram até hoje qualquer explicação (e aqui no filme isso também não apareceu apenas uma ceninha onde ele toma banho e tem uns flashs da moça tentando sair do carro que vai se enchendo de água, no papel está a conhecida Kate Mara, que é mais lembrada pela irmã mais bonita chamada Rooney Mara). Rodado no estado de Massachusetts, em Ipswich e Rockport.

É sem dúvida uma história intrigante que opta por uma fotografia que faz lembrar a época e as cores usadas pelas câmeras de cinema de então, com certo esforço em usar pessoas reais que viveram o evento. Mas muita coisa fundamental é deixada de lado (por exemplo, no “cottage” junto com Ted, haviam pelo menos três outros amigos deles não mencionados aqui). Embora os eventos tenham sucedido em pleno verão, a paisagem é amarelada, já no outono. O fato é que muita coisa não fica revelada e isso incomoda o espectador atual. Ainda que o diretor e equipe afirmem que estejam revelando o alcance que tinha qualquer governo para esconder os fatos e julgar o que lhes interessa talvez o que fique mais claro é a incompetência e fraqueza deste Kennedy - que era alcoólatra! E que chegou a dizer que a moça que estava dirigindo, mas tampouco ela nunca teve uma autópsia (e ainda assim conseguiu ser eleito como deputado). Ou seja, tudo foi manipulado pela família e o partido, que muito provavelmente também calaram a boca de outra família, a da moça afogada. Considero um erro grave colocar o ator australiano Jason no papel principal, já que mal se parece com o Kennedy (Jason fotografa bem gordo e de qualquer jeito não tem a fotogenia e presença de Edward, que assim fica por demais passivo). Também seria discutível o trabalho e escolha do diretor Curran que mesmo assim tem uma carreira razoável (fez Tentação/ We Don´t Live Here Anymore, 04 com Laura Dern e Mark Ruffalo, Despertar de uma Paixão, 06, The Painted Veil com Naomi Watts, Edward Norton, o inédito Tracks (13) com Adam Driver). Não o coloca como herói, nem como vilão! Nem por isso porém chega a pintar uma figura humana mais consistente. Ou sequer ficar próxima da verdade! Na verdade, minha cena favorita é no final do filme quando ele mente descaradamente e depois o público continuou apoiando-o e o mito Kennedy (ele ficará eleito por 4 legislaturas, mas não conseguira ser eleito como candidato a presidente). Embora fosse tudo evidente, o povo mais uma vez não acreditou e ficou burro e cego!

Linha
tamanho da fonte | Diminuir Aumentar
Linha

Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

Linha
Todas as máterias

Efetue seu login

O DVDMagazine mantém você conectado aos seus amigos e atualizado sobre tudo o que acontece com eles. Compartilhe, comente e convide seus amigos!

E-mail
Senha
Esqueceu sua senha?

Não é cadastrado?

Bem vindo ao DVDMagazine. Ao se cadastrar você pode compartilhar suas preferências, comentar ou convidar seus amigos para te "assistir". Cadastre-se já!

Nome Completo
Sexo
Data de Nascimento
E-mail
Senha
Confirme sua Senha
Aceito os Termos de Cadastro