RESENHA CRÍTICA: Halloween (Idem)

Um clássico do gênero e do cinema e uma brilhante estrela como Jamie que praticamente criou o gênero com a ajuda do genial Carpenter perdidos num roteiro tão tolo e mal concebido, isso sim é de assustar

24/10/2018 17:19 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Halloween (Idem)

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Halloween (idem)

EUA, 2018. 109min. Direção: David Gordon GreenCom Jamie Lee Curtis, Judy Greer, Andi Matichak.
Muitos anos atrás eu gostei muito de um raro filme de terror, original e surpreendente, que viria a se chamar Halloween - A Noite do Terror ( Halloween, 1978). Foi graças a ele que se revelou o diretor (ainda vivo) John Carpenter (1948- ) que se tornou um dos maiores do gênero.

Curiosamente este Halloween não era uma moda que se usava muito no Brasil, foi graças a este filme e suas várias continuações que a Noite das Bruxas passou a ser um hábito aqui principalmente entre crianças pequenas em idade escolar! (curiosamente o filme nunca foi comentado pelo New York Times, porque o jornal estava em greve na época e somente agora décadas depois que foi elogiado por um crítico atual que o adorou!). Na verdade, Halloween teve inúmeras continuações (de mal a pior) e foi também o lançamento no cinema de Jamie Lee Curtis, que é filha de dois astros famosos de Hollywood, Tony Curtis e Janet Leigh, de Psicose de Hitchcock.  

Mesmo o primeiro Halloween era um filme super modesto que deu origem a todo um novo gênero de terror (mesmo antes de “Sexta Feira 13”) e a uma enorme quantidade de imitações (Jamie fez os três primeiros e depois retornou em 1998 (relembrando os vinte anos da estreia) e o atual traz novamente Jamie! Sendo, aliás, muito provável que apesar de a terem enfeiado e aproveitado muito mal, tudo indica que a carreira no gênero vai continuar. Consagrou o diretor Carpenter (um dos cults do gênero) e revelou a estreante Jamie Lee (ela por certo tempo virou estrela de terror, “Scream Queen”) e fez vários filmes do gênero.

Mas poucos podem se comparar com este original porque é muito bem realizada, sabendo usar a tela Widescreen de maneira assustadora e surpreendente o que na época era uma coisa rara assim como o suspense com um figura tipo Bicho Papão que porém nunca se explicava direito, era basicamente um mistério que só com o tempo que ele foi desvendado (o personagem iria mudando depois com o passar do tempo e foi ficando cada vez mais explicito e digamos menos vulgar!).

Este novo Halloween conseguiu se tornar agora um grande sucesso de bilheteria nos EUA, em apenas 4 dias rendeu mais de 80 milhões de dólares, uma fortuna atualmente quando os rivais tem fracassado. Também se torna mais curioso e esquisito porque Carpenter já esta um senhor e deixou a direção para um realizador de quinta categoria, que adorava fazer comédias de gosto duvidoso. Chama-se David Gordon Green e tem um horrível curriculum entre eles Sua Alteza?, O Babá, Segurando as Pontas (se não viu, sorte sua!). Tudo que no original e os dois filmes posteriores aqui se tornou óbvio e repetitivo (o roteiro é espantosamente ruim, sem graça, sem suspense - que era o forte do original - e num roteiro completamente absurdo e repetitivo! Um roteiro de terceiro time! É verdade que já faz tanto tempo do original que os espectadores jovens podem não perceber nada destas curiosidades.

Quero deixar claro que sou fã de filmes de terror, sem preconceito mesmo hoje em dia. E quando vejo agora um clássico do gênero e do cinema e uma brilhante estrela como Jamie que praticamente criou o gênero com a ajuda do genial (quase sempre) Carpenter perdidos num roteiro tão tolo e mal concebido, ai sim é de assustar.

E de botar em perigo um gênero clássico.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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