RESENHA CRÍTICA: Vidro (Glass)
Tomara que Shyamalan não se perca novamente e continua a fazer thriller espantosos como este. Experimente.
Vidro (Glass)
EUA, 2019. 2h9min. Roteiro e direção de M.Night Shyamalan. Com James MacAvoy, Sarah Paulson, AnyaTaylor Joy, Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Luke Kirby, Spencer Treat Clark.
Se você é daqueles que desistiu do célebre diretor Shyamalan, porque depois dele ter feito alguns filmes brilhantes de terror (Corpo Fechado, A Vila, O Sexto Sentido) achou que tinha se perdido e nunca mais faria grande coisa no cinema, esta é sua oportunidade de se arrepender e se redimir. De joelhos, sem desculpas. Na verdade, são dois filmes quase num só, ao menos unidos para fazerem mais sentido e dar brilho a um de seus mais empolgantes, fortes, assustadores trabalhos de sua carreira. A primeira coisa que vai ser surpreendente é perceber que na verdade este Vidro é uma espécie de continuação, melhor dizendo, é o reencontro de dois personagens que haviam brilhado (ainda que de forma estranha no Corpo Fechado), ou seja, os famosos atores, Samuel L.Jackson, como Elijah M. Price ou Mr.Glass, agora de volta com outra figura esquisita do mesmo filme e que atende como David Dunn, interpretado agora por Bruce Willis, ambos estavam no mesmo filme anterior só que tinha um resultado confuso e não muito bem claro para o espectador. Ambos estiveram de volta para participarem dos dois filmes mais recentes, este e Fragmentado (Split), 2016.
Antes de qualquer coisa tenho que confessar que vou ficando cada vez mais fã e admirador do ator inglês James MacAvoy (atualmente anuncia-se seu filme seguinte, como Professor Charles Xavier), enquanto aqui tem uma sucessão de performances, a saber: Kevin Wendell Crumb, The Beast, Patricia, Dennis, Heinrich, Hedwig, Jade, Orwell e Norma. Um show de tipos todos eles brilhantemente interpretados James e Casey Cook, feita pela única jovem que conseguiu entender e ajudar a múltipla figura monstruosa. O célebre Bruce Willis (com a cara de sempre) faz o guarda David Dunn que usa seus poderes supernaturais, que ajudar e talvez salvar MacAvoy numa de suas 24 personagens múltiplas. Gosto também muito da consagrada estrela de séries de TV Sarah Caulson (Carol, 12 Anos de Escravidão).
Acostume-se, o filme é complicado, mas uma insinuante bola de cristal, altos e baixos, vitórias e surpresas, ou outras vezes nem isso. Curiosamente o filme foi produzido pela Disney que se deu ao luxo de passar o projeto para Shyamalan porque assim usou material de Corpo Fechado e Fragmentado. Tomara que Shyamalan não se perca novamente e continua a fazer thriller espantosos como este. Experimente.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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