RESENHA CRÍTICA: Heli
RESENHA CRÍTICA: Heli
Heli (idem)
México/França/Alemanha/Holanda, 2013. Direção de Amat Escalante. Drama. Com Armando Espitia, Andrea Vergara, Linda González. 105 min.
Não conhecia o diretor Escalante, de origem mexicana mas nascido na Espanha, a não ser pela sua polêmica vitória como melhor diretor por este filme no Festival de Cannes. Muita gente achou exagero ainda mais se considerando que é um filme modesto, de poucas palavras, duro, frio, violento mas não em excesso. E que no fundo não conta nada de novo.
Heli é um rapaz que já tem um bebe com sua namorada e vive com a irmã mais novo, Estela que tem 12 anos mas está apaixonada e fazendo sexo com um jovem cadete. Só que ele desvia pacotes de drogas para que eles possam fugir e se casar. Por causa disso, todos serão vitimas da violência.
Este foi o filme indicado pelo México para concorrer ao Oscar® de produção estrangeira mas não emplacou. Acho que porque simplesmente não é excepcional e deve ter sido premiado apenas porque Spielberg nunca deve ter visto algo semelhante antes. Mas esse tipo de história é já tradicional no cinema latino e em qualquer Festival. Novamente é aquele estilo de perseguir atores com a câmera, ou então entrar numa camionete e caminhar pelo deserto, entremeado de diferentes formas de violência (morte de cachorro, tortura com crianças jogando videogame, enforcamentos, tortura etc.). Só que a realidade desta vez é ainda mais crua e cruel do que a ficção.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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