RESENHA CRÍTICA: A Luneta do Tempo
Filme de Alceu Valença vale pela excelência da fotografia, do clima poético e a força da personalidade do autor
A Luneta do Tempo
Brasil, 14. 97 min. Direção e roteiro de Alceu Valença. Com Irandhir Santos, Hermilia Guedes, Helder Vasconcelos, Ari de Arimatéia, Ivan Rodrigues,Ceceu Valença, Mariah Teixeira.
Não é sempre que um artista de outra mídia se dedica a um projeto cinematográfico com tanto empenho e cuidado quanto o cantor e compositor Alceu Valença com este seu primeiro longa (que nós os curadores de Gramado selecionamos para a competição, onde levou o prêmio de trilha musical). Não é fácil contar mais uma vez a historia de Lampião (Irandhir) pelo seu próprio ponto de vista, ou seja, deixa uma espaço marcante para sua maior paixão, a música, seguido pela vida num circo, mas principalmente no que vem a ser uma ode ao espírito de sua terra e sua gente, o povo pernambucano.
Assim diz o resumo oficial da produção é sua própria maneira que ele conta como Lampião, sempre acompanhado por sua amada Maria Bonita (Hermila Guedes), lidera seu bando pelo sertão de Pernambuco, enfrentando a polícia local. Seu principal inimigo é Antero Tenente, que foi abandonado preso e de cabeça pra baixo pelo bando de Lampião. Esta disputa permanece com o passar dos anos, quando o filho de Antero torna-se adulto e não aceita qualquer provocação à imagem do pai ou a simples menção a algo que lembre Lampião e seus cangaceiros.
O projeto conta Alceu demorou cerca de quatorze anos para se finalizar, porque o diretor queria se aperfeiçoar na linguagem de cinema. Foi primeiro por indicação do grande fotógrafo e também diretor Walter Carvalho, depois, conta ele, com uma professora particular. Mas queria fazer algo do jeito dele e com cara de do sertão e largou as aulas. Foi assim que surgiu este filme muito pessoal que por isso pode ter imperfeições mas que são desculpadas pela excelência da fotografia, do clima poético e a força da personalidade do autor. Ah, Alceu aparece como ator no papel do palhaço Véio Quiabo.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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