RESENHA CRÍTICA: Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express)

É curioso que o filme consegue ser ao mesmo tempo tão parecido com o original e ao mesmo tempo tão diferente

30/11/2017 11:53 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express)

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Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express)

EUA, 2017. 1h54min. Roteiro de Michael Green (Blade Runner,2049, Logan) baseado em livro de Agatha Christie. Com Kenneth Branagh, Penelope Cruz, Dasy Ridler, Johnny Depp, Josh Gad, Derek Jacobi, Michelle Pfeiffer, Judi Dench, Olivia Colman, Willem Dafoe.

Antes desta suntuosa produção da 20th Century Fox, rodada na Inglaterra, na Itália (os exteriores na neve Valle D´Aosta), Turquia - Istambul (as cenas iniciais), Malta e Londres (estúdios Longcross) houve outra famosa versão do livro de Agatha Christie, também chamada de Assassinato no Orient Express (crítica no final do texto).

No filme atual, certamente foi muito prático para o famoso ator britânico Kenneth Branagh (ex-marido de Emma Thompson, cuja foto aparece rapidamente) conhecido como herdeiro de Laurence Olivier, também fazer o papel principal do detetive belga Hercule Poirot. Ele também é consagrado diretor de filmes de sucesso (adaptações de Shakespeare, mas também Cinderela, Thor, Frankenstein). Nesta versão ele evita o excesso de comédia (ainda assim faz trocadilhos com seu forçado sotaque), mas procura fugir da versão anterior. O mais marcante é a sequência inicial em Istambul onde o detetive Poirot demonstra sua habilidade de “mais famoso detetive da Europa”, resolvendo um caso que envolvia diferentes sacerdotes (a direção é hábil, a câmera movimentada, produção extremamente luxuosa e prossegue dessa forma quando chegam os passageiros para o luxuoso trem do Expresso do Oriente (como todos devem saber esse trem realmente existe e continua a funcionar até hoje, de forma bem luxuosa ainda que não muito moderna. O livro foi escrito em 1934!). Isso também acontece porque o filme foi um dos raros atuais rodado em película de 65 milímetros (com o qual rodou uma versão de Hamlet, em 96, assim como Dunkirk e Os Oito Odiados. Feitos por outros).

Outras curiosidades: É Michelle Pfeiffer (que tem papel marcante no filme) quem canta a música Never Forget, composta pelo maestro Patrick Doyle e Branagh (Angelina Jolie e Charlize Theron iriam fazer o papel). O fato mais polêmico e curioso do filme na Imprensa foi o fato do diretor usar um bigodão a moda antiga, até porque a autora Christie não tinha gostado nada do bigode de Finney na versão anterior! Este seria mais fiel ao que ela imaginou (curiosamente Branagh é o décimo terceiro ator a fazer esse papel no cinema, sem contar TV). A situação em que o trem fica parado na Neve é inspirado em fatos reais, quando ficou aprisionado justamente quando Miss Christie fazia uma viagem nele! A ação aqui seria na atual Croácia. Como é seu costume Kenneth colocou com figurantes ou coadjuvantes, atores de sua equipe de montagens teatrais. No fim do filme, Poirot é avisado que ele está sendo chamado no Egito, é uma brincadeira com o próximo trabalho do detetive e que seria o filme seguinte, ainda não acertado Morte sobre o Nilo.

É curioso que o filme consegue ser ao mesmo tempo tão parecido com o original e ao mesmo tempo tão diferente. Embora a resolução da trama seja a mesma, os meandros, suspeitas e situações são bastante diferentes, até porque o diretor faz o possível para tornar os momentos mais complexos e cheios de ação, e não apenas uma mera conversação. Acho que sem dúvida o elenco da versão original era superior em todos os sentidos. Aqui os mais famosos (Dench, Penélope com seu sotaque arrastado não tem maior brilho e apenas Michelle Pfeiffer merece destaque. Johnny Depp está discreto, mas também não faz nada de memorável).

O fato é que um filme feito há tanto tempo, ainda ser lembrado é notável e raro ainda mais nos tempos atuais. O orçamento foi relativamente pouco (55 milhões de dólares) e a renda até agora é de 74 milhões!

 

Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express)

Inglaterra, 1974. Diretor: Sidney Lumet (1924-2011). Elenco: Albert Finney, Ingrid Bergman, Vanessa Redgrave, Sean Connery, Jacqueline Bisset, Anthony Perkins, Lauren Bacall, Jean-Pierre Cassel, Wendy Hiller, Rachel Roberts, Richard Widmark, Martin Balsam, John Gielgud, Michael York, Colin Blakely.

Sinopse: Em 1935, o detetive belga Hercule Poirot está a bordo do famoso trem Expresso do Oriente quando ocorre o assassinato de um homem, que parece ter estado envolvido no sequestro de um bebê. O trem fica preso por uma tempestade de neve enquanto ele descobre que todos a bordo do compartimento e possíveis suspeitos escondem algum segredo.

Comentários: O primeiro filme daqueles produzidos por John Brabourne e Richard Goodwin, baseados em livros de Agatha Christie com seu personagem clássico detetive belga Hercule Poirot, que foram ficando progressivamente mais pobres. Mas sempre com elenco all-star. Nunca tanto quanto aqui, onde realmente há um elenco Classe A, uma luxuosa produção de época (figurinos, mesmo trilha musical elegante, locações na Turquia num autêntico carro do Expresso, Paris e Londres) e mereceu os seis Oscars para o qual foi indicado (Fotografia, Figurino, Ator- Finney, Roteiro Adaptado, Trilha Musical) e ganhou o de Atriz Coadjuvante (o terceiro para Ingrid embora seu papel fosse curto - praticamente uma única cena de cinco minutos e nada especial). Finney está caricato no papel de Poirot (nos seguintes foi substituído por Peter Ustinov). A resolução final era bem engenhosa e típica da autora.

 

A outra versão

Assassinato no Expresso Oriente (Murder on the Orient Express). Poucos se lembram desta versão de 2001, exibida no Brasil. Com apenas 93 min. Diretor: Carl Schenkel

Elenco: Alfred Molina, Peter Strauss, Leslie Caron, Meredith Baxter, Amira Casar, Nicolas Chagrin, David Hunt.

Sinopse: O detetive belga Hercule Poirot viaja no Trem do Expresso Oriente que sai de Istambul. Durante a viagem, um milionário Mr. Ratchett, que o havia pedido proteção, aparece assassinado e ele tenta descobrir o culpado.

Comentários: Versão para a TV mas exibida em nossos cinemas. Impossível compará-la já que é bem mais modesta. A história foi atualizada (com as consequências duvidosas desse ato, com o uso de laptop), alguns personagens cortados, outros acrescentados. Mas o filme foi feito às pressas, com orçamento modesto (fora Leslie Caron, os eram os astros de TV Strauss e Baxter!??). Conserva-se a resolução já não tão surpresa. Era para ser o primeiro de uma série de outras atualizações das aventuras de Poirot.

 

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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