Resenha: O Lado Bom da Vida
Marcela Pires comenta o livro no qual o filme foi inspirado.


Eu não gosto de assistir um filme antes de ler o livro cujo filme foi inspirado, mas dessa vez isso aconteceu, e devo dizer que gostei muito mais do filme do que do livro. (Raramente isso acontece).
Na verdade, o roteiro que foi utilizado no filme é muito mais convincente e bem amarrado que no livro, porem este é muito mais sentimental e emocional, e faz com que o leitor sinta as mesmas dores e angústias de Pat.
O livro é um drama, o filme é uma comédia.
No livro:
"...conversando sobre meu gosto por nuvens e sobre como a maioria das pessoas perdeu a habilidade de ver o lado bom das coisas, embora a luz por trás das nuvens seja uma prova quase diária de que ele existe". p.18
Pat é um homem de 34 anos, que ficou 4 anos internado numa clínica psiquiátrica e não se lembra do que aconteceu nos últimos anos e nem quanto tempo ficou no "lugar ruim". Sempre tentando ser otimista, e ver o lado bom da vida, Pat mesmo na atual situação não permite que lhe tirem a esperança de que o “filme” da sua vida terminará com um final feliz.
Um belo dia sua mãe o retira de lá. Contudo, seu pai não fala com ele, vive trancado em seu escritório, seu irmão Jake é uma companhia boa que lhe traz alguma paz e o terapeuta Cliff é um amigo para todas as horas.
Pat é um personagem infantilizado, cheio de medos infantis e que precisa sempre da aprovação e do olhar dos pais.
Seu pai só fala com ele quando os "Eagles" ganham os jogos, o que faz com que constantemente Pat fique ansioso pelo resultado.
Antes de entrar na clínica, Pat era casado com Nikki, e sua maior meta é voltar para ela, por isso ele se torna um viciado em musculação e corrida, emagrece muito, e tenta sempre ser gentil.
Uma noite é convidado pelo amigo Ronnie para jantar em sua casa, onde lhe é apresentada sua cunhada Tiffany que perdeu o marido há 2 anos. Nesse momento surge o relacionamento meio perturbado e muito intenso entre os 2.
No filme
Pat (Bradley Cooper) é diagnosticado como bipolar, estava internado há 8 meses numa clinica psiquiátrica em Baltimore até que sua mãe o retira de lá. Em casa, ele tenta controlar seu comportamento explosivo, com musculação e corridas, se nega a tomar os remédios, mas depois de alguns acidentes em casa, acaba tomando.
Faz terapia com Cliff, e seu irmão Jake é um tanto "metido".
O pai (De Niro) perdeu a pensão, e vive de apostas dos jogos dos Eagles. O pai sofre de TOC e todos os 3 homens da família são viciadíssimos nos jogos dos Eagles.
Num jantar na casa do amigo Ronnie ele conhece Tiffany que perdeu seu marido recentemente.
O sonho de Pat é poder entrar em contato com sua esposa Nikki, porem uma ordem judicial não permite nenhum contato entre eles, e por isso, Tiffany e Pat fazem um acordo.
Minhas impressões:
O filme é muito mais leve e divertido, sem se desvirtuar do problema de Pat. Pat é mais adulto, mais capaz de viver em sociedade que o do livro. Tiffany é tão problemática quanto o protagonista, mas no filme, ela tem todo um carisma, que o expectador torce por um final feliz entre eles.
O livro dá uma "bambeada" no meio do caminho, a estória fica morna, sem emoção, porem no livro, as emoções e sentimentos são muito mais trabalhados, e existem passagens realmente comoventes. Pat é um sujeito extremamente sensível e passa isso para o leitor.
"Sinto como se o Dr Timbers estivesse certo a meu respeito: não pertenço ao mundo real, porque sou incontrolável e perigoso. Mas é claro que não falo isso a Jake, principalmente porque ele nunca foi internado e não entende qual é a sensação de perder o controle, e agora só quer assistir ao jogo de futebol, e nada disso tem sentido para ele, porque ele nunca foi casado e nunca perdeu alguém como Nikki e não esta tentando nem um pouco melhorar a sua vida, porque ele nunca sentiu o conflito que acontece dentro do meu peito todo maldito dia - as explosões químicas que iluminam meu cérebro como se fosse Quatro de julho e as terríveis necessidades e impulsos..." p. 98
Curiosidade:
O livro de Matthew Quick foi escrito em 2008, e virou filme pelo diretor David Russell em 2012, que quis fazer esse longa para o seu filho que sofre de bipolaridade e tem transtorno obsessivo compulsivo, talvez por isso o diretor fez questão de colocar o TOC em De Niro, já que esse fato que não é mostrado no livro.
Considerações finais:
Vale ver o filme porque é divertido e o livro porque é emotivo e sensível. Vale ler e ver porque ambos tentam mostrar que por pior que uma situação pareça, a nossa busca por felicidade não pode parar, porque sempre tem o lado bom da vida!


Sobre o Colunista:
Marcela Pires
Uma colecionadora compulsiva de blushes e livros. Mora em Campinas/SP com 3 cães, 2 filhas, um monte de livros e milhares de sonhos. Nasceu em 1978, estudou Filosofia e Ciência Sociais, hoje é uma completa apaixonada pelo mundo da moda e da literatura. Divido o seu tempo com os estudos sobre Consultoria de Imagem, o blog Mulherices e livros que ela tanto ama

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