RESENHA CRÍTICA: Chocolate (Chocolat) - FESTIVAL VARILUX 2016
Não confundir com o outro Chocolate de Johnny Depp, este aqui é um filme bonito e comovente, um filme que tem tudo para fazer sucesso com os fãs de Intocáveis
Chocolate (Chocolat) - FESTIVAL VARILUX 2016
França, 16. 110 min. Direção de Roschdy Zen. Com Omar Sy, James Thierrée, Clotilde Hesme, Olivier Gourmet, Fréderic Pierrot, Noémie Lovvosky, Xavier Beauvois,
Não confundir com o outro Chocolate de Johnny Depp, este aqui é um filme bonito e comovente, caro (custou quase 19 milhões de dólares) e de sucesso, inspirado em fatos reais e estrelado pelo excepcional ator negro Omar Sy (que revelado por Intocáveis (11) iniciou uma carreira internacional que inclui Samba (14), Jurassic World (15), X-Men Dias de um Futuro Esquecido (14), Pegando Fogo (15)). Omar é um ator excelente, carismático, que brilha apesar dos clichês da história, muito fáceis de adivinhar e nem sempre perdoar. Afinal a desculpa é que seriam fatos reais e o ser humano conseguia ser ainda mais racista durante a Belle Èpoque, do que mesmo hoje em dia! Mas há outra grande atração para se assistir o filme, não apenas a direção profissional do ator Roschdy (francês de nascimento, mas árabe de origem, já dirigiu 3 filmes antes e estrelou muitos filmes inclusive o recente O Preço da Fama sobre os ladrões do corpo de Chaplin, O Pequeno Tenente, o premiado em Cannes Dias de Glória).
O que achei mais interessante e curioso é a presença de um ator chamado James Thierrée, que é filho de Victoria Chaplin, ou seja neto direto de Charles Chaplin. Embora já seja veterano (nascido em 74, em Lausanne, Suiça) e tenha 29 créditos, (Vatel, Três Solteirões e um Bebê, 18 Anos Depois) é praticamente desconhecido. Aqui faz o papel central de George Footit, o palhaço de circo que descobre chocolate e se torna seu amigo e confidente, ainda que com conflitos. O domínio corporal deste Chaplin é excepcional apesar de seu olhar triste e amargo Ou talvez por causa justamente disso.
Esta é a história de certo negro chamado Rafael Padilla, que foi escravo em Cuba e ganha a vida como palhaço em Paris. Descoberto num circo interior no Norte da França, por George Footit, um artista de origem inglês o convence a formar uma dupla, que vai se tornando um grande sucesso e faz com que Chocolate vire uma celebridade e por isso é perseguido pela policia, abusado pelos racistas e humilhado quando ousa fazer num palco clássico uma versão de Otelo, A Glória de Chocolat, termina prematuramente com sua morte em 1917.
Ou seja, um filme que tem tudo para fazer sucesso com os fãs de Intocáveis.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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