Joe
Em uma pequena cidade do Texas, Joe retorna à sociedade após sair da prisão na tentativa de deixar o passado sombrio para um recomeço. Mas...
Joe (Idem). EUA, 2013, 117 min. Drama. Dirigido por David Gordon Green. Distribuição: Flashstar
Em uma pequena cidade do Texas, Joe (Nicolas Cage) retorna à sociedade após sair da prisão na tentativa de deixar o passado sombrio para um recomeço. De dia trabalha em uma madeireira, e à noite tem o escape na bebida. Certo dia, conhece um jovem de 15 anos chamado Gary (Tye Sheridan), abusado pelo pai, que está desesperadamente à procura de emprego para sustentar a família. Solitário no mundo, Joe resgata o garoto, enquanto Gary o ajudará no trabalho.
De 2005 para cá, Nicolas Cage coleciona papéis horrorosos em fitas ruins de doer a alma, destacado pela crítica como um perfeito canastrão. Já ganhou Oscar e Globo de Ouro, produz dezenas de filmes, é de família importante no cinema (sobrinho de Francis Ford Coppola), mas ano a ano cai no erro de aceitar trabalhos duvidosos. Acompanho a carreira do ator, e falo com garantia: nos últimos 10 anos o vemos no elenco de 20 filmes como protagonista, destes, 17 desprezíveis, até indicados ao Framboesa de Ouro. Diante desse colapso artístico, a boa notícia é que “Joe” super foge à regra. Cage brinda o público com sua melhor atuação, compacto, sério, de um sujeito em degradação psicológica e social. Tiro certo, mas momentâneo, pois em seguida entrou na enrascada de novos trabalhos sem dignidade (vide a filmografia dele de 2013 a 2016).
Neste drama sólido, visivelmente autoral, personagens difíceis, áridos, com temperamento violento, vivem histórias amargas em um mundo de desilusão, sondados pela inércia do abandono. Joe sai da prisão, mora sozinho, trabalha duro na madeireira, enche a cara à noite, até que encontra uma luz no fim do túnel na figura de Gary, um jovem perdido em conflitos familiares, abusado pelo pai beberrão. De gerações diferentes, os dois encontram, um no outro, esperança e apoio para a desalentada vida que segue.
Indicado ao Leão de Ouro em Veneza em 2013, o bom filme, baseado no livro de Larry Brown, não tem tema fácil para digerir e serve para uma reflexão atual: o fim do sonho americano.
Destaque especial para a direção firme de David Gordon Green (cada vez melhor), a atuação de Nicolas Cage e Tye Sheridan, e a fotografia de Tim Orr. Lançado nas salas dos Estados Unidos em 2013, demorou à beça para chegar no Brasil - veio em DVD há um mês pela Flashstar.
Sobre o Colunista:
Felipe Brida
Jornalista, cr?tico de cinema e professor de cinema, ? mestre em Linguagens, M?dia e Arte pela PUC-Campinas. Especialista em Artes Visuais e Intermeios pela Unicamp e em Gest?o Cultural pelo Centro Universit?rio Senac SP, ? pesquisador de cinema desde 1997. Ministra palestras e minicursos de cinema em faculdades e universidades, e ? professor titular de Comunica??o e Artes no Imes Catanduva (Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva), no Senac Catanduva e na Fatec Catanduva. Foi redator especial dos sites de cinema E-pipoca e Cineminha (UOL) e do boletim informativo "Colunas e Notas". Desde 2008 mant?m o blog "Cinema na Web". Apresenta quadros semanais de cinema em r?dio e TV do interior de S?o e tem colunas de cinema em jornais e revistas de Catanduva. Foi j?ri em mostras e festivais de cinema, como Bag?, An?polis, Bras?lia e Goi?nia, e consultor do Brafft - Brazilian Film Festival of Toronto 2009 e do Expressions of Brazil (Canada). Ex-comentarista de cinema nas r?dios Bandeirantes e Globo AM, foi um dos criadores dos sites Go!Cinema (1998-2000), CINEinCAT (2001-2002) e Webcena (2001-2003). Escreve resenhas especiais para livretos de distribuidoras de cinema como Vers?til Home V?deo e Obras-primas do Cinema. Contato: felipebb85@hotmail.com
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