O Brilho Inicial de Ridley Scott
A revisao de Alien, o Oitavo Passageiro (Alien; 1979) da conta destas sutis alteracoes no m?todo cinematografico de Scott
Quando voltamos aos primeiros filmes dirigidos pelo inglês Ridley Scott, não deixamos de topar os embriões de um estilo de filmar que ele veio utilizando décadas afora, onde o apuro técnico leva a uma determinada plasticidade, plástica que se tornaria mais suntuosa com os recursos de produção com que ele contou depois graças ao prestígio adquirido desde suas obras iniciais. No entanto, ainda que o cineasta mantenha sua coerência estética, é perceptível que em seus trabalhos de entrada no cinema Scott tem um brilho formal cujo frescor e mesmo inocência se perderam um pouco no correr dos anos.
A revisão de Alien, o oitavo passageiro (Alien; 1979) dá conta destas sutis alterações no método cinematográfico de Scott. É este o segundo filme do realizador. Sua estreia se dera com Os duelistas (1977), uma narrativa napoleônica extraída duma novela de Joseph Conrad. Embora de orientação geral diversa, Alien, o oitavo passageiro faz reencontrar o capricho na construção de cenários e o engenho duma montagem plástica (praticamente pictórica) com que se deparara em Os duelistas. Há outra ligação entre o primeiro e o segundo filme de Scott. Talvez na época obsessionado por suas leituras conradianas, ele vai de novo referir-se ao romancista que lhe dera a base de Os duelistas. Em Alien, o oitavo passageiro a nave onde estão os sete tripulantes que vagam o espaço de Thedus para a Terra se chama Nostromo. É uma alusão ao romance homônimo de 1904 de Conrad.
Com uma certa lentidão inicial, Scott vais descrevendo as ações de suas criaturas no começo de sua travessia espacial rumo de nosso planeta. Até o instante em que começam a aparecer os primeiros sinais do passageiro intruso, a espécie esquisita e mortal que vai atacar os tripulantes. O que era uma aventura espacial se mistura com o terror. Estávamos nos anos 70, e tanto o gênero horror quanto o da viagem espacial estavam na moda. Scott adaptava o rigor de seu cinema, cujas cartas eram apresentadas em Os duelistas, aos modismos de sua época. Um artista incrustado na indústria.
O elenco do filme é um luxo estelar. É certo que Sigourney Weaver, na pele da subtenente Ripley, dá boa parte da energia interna do filme. Ela carrega especialmente a parte final, quando, única sobrevivente da nave (os demais foram mortos pelo alienígena), enfrenta o alien numa entrega voluptuosa ao enfrentamento que se caracteriza nuns momentos da cena em que a atriz se despe ficando de calcinha e em certo instante, de costas, aparece o frontispício de seu traseiro nu. É o momento erótico do terror espacial de Scott.
Além de Sigourney, desfilam Harry Dean Stanton, John Hurt, Ian Holm e outros hoje menos votados (mas muito bons também) Tom Skerritt, Veronica Cartwright, Yaphet Kotto.
(Eron Duarte Fagundes – eron@dvdmagazine.com.br)
Sobre o Colunista:
Eron Duarte Fagundes
Eron Duarte Fagundes é natural de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, onde nasceu em 1955; mora em Porto Alegre; curte muito cinema e literatura, entre outras artes; escreveu o livro Uma vida nos cinemas, publicado pela editora Movimento em 1999, e desde a década de 80 tem seus textos publicados em diversos jornais e outras publicações de cinema em Porto Alegre. E-mail: eron@dvdmagazine.com.br
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