OSCAR 2026: HAMNET: A VIDA ANTES DE HAMLET
Um retrato sensivel de como a dor pode gerar beleza. E Jessie Buckley transforma luto em arte diante dos nossos olhos
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet chega com a delicadeza de um sussurro e o peso de uma tragédia íntima. Não é um filme sobre Shakespeare em si, mas sobre o vazio que antecede a arte. E essa escolha já mostra a ambição emocional da proposta.
A história se volta para a perda de um filho e o eco dessa dor na criação. Baseado no romance que imagina a vida familiar do dramaturgo, o enredo parte do luto real que cercou o nome Hamnet. O livro constrói a ficção a partir de lacunas históricas, transformando ausência em narrativa sensível. O filme preserva essa essência: menos biografia, mais sentimento.
A direção de Chloé Zhao aposta em silêncios, natureza e rostos que dizem tudo. Há uma poesia visual constante, às vezes até contemplativa demais. Mas a atmosfera é coerente com o tema da memória e do tempo suspenso.
Jessie Buckley é o eixo emocional da obra. Sua interpretação é de uma entrega quase desconcertante. Ela vive a dor não como espetáculo, mas como algo que paralisa. Seus gestos contidos e o olhar sempre à beira do abismo dão verdade à personagem. Há uma força silenciosa na maneira como ela ocupa a tela. Mesmo quando não fala, domina a cena. É o tipo de atuação que cresce depois, na lembrança do espectador.
Paul Mescal que vive Shakespeare opta pela discrição, e funciona. Ele entende que aqui o foco não é o gênio, mas o homem. E isso equilibra o filme, evitando reverência excessiva.
Visualmente, há luz natural, interiores sombrios e um mundo que parece respirar junto com os personagens. A trilha é mínima, respeitando o peso do silêncio.
O ritmo pode afastar quem espera drama mais explícito. Mas quem se entrega encontra emoção profunda. Não é um filme para entreter - é para sentir. Imperdível!
Nota: 4,5/5
Sobre o Colunista:
Edinho Pasquale
Editr-Executivo do site DVDMagazine
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