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A Serpente do Terror

Boris Karloff foi sem dúvida um dos maiores ícones do Cinema Fantástico de todos os tempos. Seu A Serpente do Terror é um achado, um exemplar de um Cinema Primitivo feito nos mesmos moldes que os filmes de nosso José Mojica Marins

05/02/2017 23:20 Por Marcelo Carrard
A Serpente do Terror

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A Serpente do Terror aka Isle of the Snake People, La Muerte Viviente
México: (1971)
Direção: Juan Ibañez aka Jack Hill

Boris Karloff foi sem dúvida um dos maiores ícones do Cinema Fantástico de todos os tempos. Sua “máscara” extremamente singular e expressiva deixou sua marca em clássicos absolutos como: Frankenstein (1932), A Múmia (1932) e A Noiva de Frankenstei (1935), filmes do Clássico Ciclo de Horror da Universal. Sua figura muito particular fez com que ele   tivesse, no final da vida, uma série de participações especiais em filmes  B de diretores como: Mario Bava, no Clássico: As Três Máscaras do Terror aka I Tre Volti della Paura, Black Sabbath (1963), A Maldição do Altar Escarlate aka Curse of Crimson Altar, de Vernon Sewell (1968), Na Mira da Morte aka Targets, de Peter Bogdanovich (1968), Sombras do Terror aka The Terror (1963) de Roger Corman entre outros. Mas a colaboração mais frutífera foi com o Diretor mexicano Juan Ibañez que produziu vários filmes em um curto espaço de tempo para aproveitar a presença de Karloff, já com a saúde muito debilitada. Entre esses filmes destacam-se: Invasão Sinistra aka Alien Terror (1971), Serenata Macabra aka House of Evil (1968), A Câmara do Terror aka Fear Chamber (1968) e A Serpente do Terror (1971).

Com uma trama que mistura rituais vodu e zumbis canibais em uma ilha do Pacífico, A Serpente do Terror é um filme com momentos particularmente inspirados e surpreendentes. Yolanda Montes aparece em cena como Kalea, arregalando seus expresivos olhos e realizando sensuais cultos de magia negra se utilizando de serpentes, frutos de sua experiência como famosa dançarina exótica no México. Karloff aparece como: Carl Von Mulder, que se transfigura no diabólico: Damballah. Julissa, a atriz fetiche de Ibañez aparece em cena como a meiga e inocente: Anabella que representa bem a jovem do “Mundo Civilizado” inserida em um universo primitivo e exótico, onde, através de um sonho provocado por um ritual de Kalea, percorre um sombrio labirinto de projeçoes perturbadoras de sua sexualidade reprimida. Na sequência de abertur vemos um distinto cavalheiro caminhando entre túmulos de um cemitério durante a noite. Acompanhando o tal cavalheiro aparece um anão com a tradicional cartola de um sacerdote vodu, interpretado pelo impagável: Santanón, uma daquelas figuras cult dos filmes de Horror B que tanto amamos. As sequências dos rituais são muito interessantes e até ousadas para a época. Toda uma atmosfera   de sensualidade primitiva contida se espalha pelo filme que tem todos os elementos clássicos de uma produção de baixo orçamento mas com muita criatividade. A composição da personagem de Karloff transfigurada na sequência final é surpreendente. Os corpos dos nativos e seu êxtase diante do fogo e os desdobramentos dessas sequências que ainda incluem um ataque de uma sensual mulher canibal enfeitiçada, mostrado de forma crua, fazem  de A Serpente do Terror um dos grandes filmes sobre o vodu e seus derivados, que formam quase um subgênero do Horror Cinematográfico. Feito em uma época de incorreções políticas e onde o medo de se fazer um filme B sincero e direto não existia, A Serpente do Terror é um achado, um exemplar de um Cinema Primitivo feito nos mesmos moldes que os filmes de nosso José Mojica Marins. Boris Larloff em seu crepúsculo deve ter se divertido muito ao lado desses amigos mexicanos, com certeza.

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Sobre o Colunista:

Marcelo Carrard

Marcelo Carrard

Jornalista graduado pela PUC RS com Mestrado em Comunicação e Semiótica pela PUC SP. Pesquisador e Crítico de Cinema atualmente é Apresentador e Redator do Canal: Cinema Ferox do YouTube onde analisa Cinema de Gênero e Independente, Cultura Geek com espaço para abordagens da Diversidade e do Queer Cinema. Pesquisou o Gênero Feminino nos filmes de Dario Argento e Mario Bava no Inst de Artes da Unicamp e é especialista em Cinema Italiano de Gênero, além de colecionador e palestrante.

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