RESENHA CRTICA: Neruda (Idem)
Filme mal interpretado, discutvel como biografia


Neruda (Idem)
Chile,Argentina,França,Espanha, 16. 107min. Direção de Pablo Larrian. Roteiro de Guillermo Calderon. Com Gael Garcia Bernal, Luis Gnecco, Alfredo Castro, Pablo Derqui, Marcedes Moran, Emílio Gutierrez Caba, Alejandro Goic.
Indicado para o Globo de Ouro de filme estrangeiro, mas descartado da seleção do Oscar, este drama biográfico é um curioso equivoco. O diretor Pabla Larrian é hoje considerado o maior talento do cinema chileno, desde que se revelou num filme diferente exibido aqui chamado Tony Manero, 08. Depois fez o primeiro episódio da serie de TV da HBO Profugos, em 2011, e chamou Gael Bernal para estrelar o mediano “No” em2012. Seguido depois pelo mais premiado O Clube (15, interessante drama sobre exilados que tem que viver numa casa isolada numa praia). Mas seu prestígio realmente cresceu depois deste filme fraco mas que foi seguido por uma elogiada biografia de Jacqueline Kennedy, Jackie. O roteirista é o mesmo de O Clube e Violeta para o Céu, o que torna inexplicável um texto tão pseudo literário, redundante, equivocado até final que não termina nunca.
Esta talvez seja a pior interpretação do mexicano Gael que não tem porte nem presença dramática suficiente para fazer um personagem clichê que é o policial que persegue incessantemente sua presa à lá Jean Val Jean, mas se Neruda já é verborrágico e discursivo, Gael como Oscar Pellucheneau é personagem que parece fictício. Por outro lado, o ator que faz Neruda é Luis Gnecco, argentino, que esteve em No, mas que resulta canastrão e antipático. Aliás essa é uma das coisas mais estranhas do filme que não tem pudor em falar mal do biografado vencedor do Nobel que é pintado como um alcoólatra, mulherengo que gosta de orgias, não era verdadeiro em seus poemas e, o pior de tudo, esses textos poéticos resultam muito mal.
Vale mais os que se lembram com carinho de outra biografia mais delicada de Neruda, O Carteiro e o Poeta (94), com Massimo Troisi e o francês Philippe Noiret, como ele, deixando uma lembrança positiva. Isto não sucede neste filme mal interpretado, discutível como biografia (talvez preocupado demais com o que a gente já sabe, a fúria reacionária que irá tomar conta do Chile muito em breve dos fatos narrados até com ceninha com Pinochet).
A sequência final rodada em externas nevadas, acabou por me lembrar o já tão esquecido filme do mexicano O Regresso, de Alejandro Iñarritu.


Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho jornalista formado pela Universidade Catlica de Santos (UniSantos), alm de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados crticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veculos comunicao do pas, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de So Paulo, alm de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a dcada de 1980). Seus guias impressos anuais so tidos como a melhor referncia em lngua portuguesa sobre a stima arte. Rubens j assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e sempre requisitado para falar dos indicados na poca da premiao do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleo particular dos filmes em que ela participou. Fez participaes em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minissries, incluindo as duas adaptaes de ramos Seis de Maria Jos Dupr. Ainda criana, comeou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, alm do ttulo, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informaes. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionrio de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o nico de seu gnero no Brasil.

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