RESENHA CRÍTICA: O Poderoso Chefinho (The Boss Babe)
Quem sou eu para julgar o gosto infantil, eles que decidem o resultado. Aos pais só acho bom prevenir o provável erro
O Poderoso Chefinho (The Boss Babe)
EUA, 17. 1h37min. Direção de Tom McGrath. Roteiro de Michael McCullers baseado em livro de Marla Frazee. Vozes originais de Alec Baldwin, Steve Buscemi, Jimmy Kimmel, Lisa Kudrow, Tobey McGuire (narrador).
Não devem lembrar do nome, mas o diretor Tom McGrath tem uma carreira bem sucedida na animação, em geral codirigindo sucessos como Madagascar 3: Os Procurados, 12, Megamente, 10, Madagascar 2: A Grande Escapada, 08, e o primeiro Madagascar, 05. Curiosamente a julgar pelo trailer, grande parte dos jovens consideraram o novo filme muito parecido com outra comédia, mas com atores, chamada O Pequenino (Little Man, 06), da família Wayans, Keenen Ivory como diretor e com Marlon Wayans, como astro. É sobre um anão que é ladrão de joias que vai viver com um casal que desejava ter filhos e pensam que ele é uma criança. O truque era colocar digitalmente a cara de Shawn no corpo de um anão ou criança forte que serve de dublê. Mas desagradou tanto que foi indicado a vários prêmios Frambroesas. Depois ainda por cima foi descoberto que era refilmagem disfarçada de um desenho do Pernalonga, Baby Buggy Bunnie, 54.
O começo do filme é bem divertido quando ficamos conhecendo o protagonista, um bebê carequinha e genial, que chega a casa de uma família que mal reage de tão espantada fica, já que manda em tudo, principalmente no irmão mais velho. Claro que usa terninho e maleta, mas eventualmente convoca seu irmão de sete anos para interromperem um projeto de um CEO da Puppy Co. Apesar de provocar essa simpatia inicial, basta começar a pensar um pouco para entender o problema. A questão é que coisas como CEO e Companhias não fazem parte do universo de uma criança pequena nem grandinha. Por mais que façam piadinhas visuais, até para alguns adultos elas podem ser incompreensíveis.
O irmão Tim de sete anos foi muito bem tratado pelos pais, que o levaram em aventuras e o mimaram. Agora com a chegada de Boss Baby começa a missão secreta contra o Chefão da firma que deseja roubar todo o amor de bebês (que ficarão obsoletos). Como os pais trabalham para a mesma companhia, eventualmente vão a Las Vegas para uma convenção e ocasionalmente tratam displicência as crianças.
Para piorar um pouco há varias piadas sobre gases, fraldas e coisas do gênero. Ainda que não para seu herói que está sempre arrumadinho e metido. O filme, ou seja, a animação e seus truques e piadas me pareceram acima da mentalidade infantil, mas como aconteceu de ver o filme uma segunda vez, acabei mudando de ideia por varias razoes: 1) o colorido alegre e divertido; 2) o uso de trilha famosas de filmes de ação ou clássicos românticos como What the World Needs Now de Bacharach e até do Blackbird dos Beatles; 3) o ritmo narrativo intenso e inesperado, bom de se assistir; 4) a curiosa figura do bebê que também pode ser o vilão ou ao menos o herói executivo CEO da Grande Empresa mas a verdade é que o irmão mais velho não fica atrás (não foi a toa que o filme da hoje praticamente falida Dreamworks associada a Fox), custo de 125 milhões de dólares e renda de mais de 175 milhões).
A versão original em inglês é ainda mais divertida porque a voz do baby é de Alec Baldwin, mais Tobey McGuire, Jimmy Kimmel, Lisa Kudrow. E logicamente deverá ter em breve uma continuação. Pois sem dúvida é muito divertido e encantador. E ainda tem duas ceninhas simpáticas no meio dos letreiros finais.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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