RESENHA CRTICA: Apenas o Fim do Mundo (Juste la Fin Du Monde)

Um filme poderoso que recomendo nem que seja para descobrir um jovem diretor de talento

25/11/2016 13:59 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: É Apenas o Fim do Mundo (Juste la Fin Du Monde)

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É Apenas o Fim do Mundo (Juste la Fin Du Monde)

França, 16. 97 min. Direção e roteiro de Xavier Dolan baseado em peça de Jean Luc Lagarce.Com Nathalie Baye, Vincent Cassel, Marion Cotillard, Lea Seydoux, Gaspard Ulliel.

Esta é nova confirmação do jovem diretor Dolan, que fez a obra-prima Mommy (Idem) que vocês realmente precisam assistir. Ele é canadense de Montreal, nasceu em 1989 e é totalmente autodidata e assumidamente gay. Não é influenciado por nenhum outro cineasta, escreve seus roteiros, escolhe a trilha de musicas de seus filmes (sempre fortes e marcantes), é também bom ator e já foi varias vezes premiado em Cannes, sendo que por este filme mais recente ganhou o Premio do Júri (ainda que tenha sido bastante contestado porque muitos acham que já foi excessivamente premiado). De qualquer forma, ele é o maior talento que surgiu no cinema nos últimos anos, confirmado com este novo filme, que está sendo muito mal lançado sem preparação devida e já na época natalina (e ainda por cima com um titulo ruim, que parece comédia). Mas não tem graça nenhuma. Ele adaptou uma peça teatro indicada por uma atriz amiga, escrita por Jean Luc Lagarce (que morreu de Aids e aqui retoma um dos temas mais velhos do teatro, a Volta ao Lar).

Na primeira cena ele já se explica, dizendo que esta morrendo de Aids e vai visitá-la no interior depois de cerca de 12 anos de ausência. Quem faz o personagem e resulta numa inesperada surpresa é o Gaspard Ulliel, que ficou mais conhecida porque viveu bem a biografado figurinista em Saint Laurent, 14, e também Hannibal a Origem, Eterno Amor, Anjo da Guerra. Na verdade é impressionante como progrediu e apesar do seu tipo estranho segura um filme e um papel muito pesado, cercado de atores excelentes. E Dolan usa seu estilo de planos fechados, emoção a flor da pele envolvendo o espectador mesmo que ele esteja relutante. Ele criou um tipo de mãe para a estrela veterana Nathalie Baye que muda completamente de imagem, mas no duelo ninguém fica atrás. O já quase brasileiro Vincent Cassel vai crescendo e acaba tendo dois ou três poderosos monólogos de assustar (afinal o dialogo diz o filme é muitas vezes impossível se entender com a família). Marion Cotillard faz a esposa dele, completamente por fora de tudo, incapaz de se expressar, mas plena de ternura, confirmando-se como a grande figura do cinema francês e internacional. E também como a Irmã mais nova Lea Seydoux, em pleno desenvolvimento. A questão da homossexualidade deixa de ser tão importante e o conflito familiar se universaliza. Um filme poderoso que recomendo nem que seja para descobrir este jovem diretor de talento.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho jornalista formado pela Universidade Catlica de Santos (UniSantos), alm de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados crticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veculos comunicao do pas, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de So Paulo, alm de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a dcada de 1980). Seus guias impressos anuais so tidos como a melhor referncia em lngua portuguesa sobre a stima arte. Rubens j assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e sempre requisitado para falar dos indicados na poca da premiao do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleo particular dos filmes em que ela participou. Fez participaes em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minissries, incluindo as duas adaptaes de “ramos Seis” de Maria Jos Dupr. Ainda criana, comeou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, alm do ttulo, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informaes. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionrio de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o nico de seu gnero no Brasil.

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