RESENHA CRÍTICA: Como Nossos Pais

Muito provavelmente é o melhor filme brasileiro do ano e possível indicado ao Oscar de produção estrangeira

31/08/2017 09:15 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Como Nossos Pais

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Como Nossos Pais

Brasil, 17. 1h42. Direção de Laís Bodanzky. Roteiro de Laís e Luiz Bolognesi. Com Clarisse Abujamra, Jorge Mautner, Maria Ribeiro, Paulo Vilhena, Felipe Rocha, Sophia Valverde, Herson Capri.

Depois de ter feito uma boa carreira em festivais europeus, chega ao Brasil este filme que foi consagrado no Festival de Gramado com alguns dos prêmios mais importantes: melhor filme, melhor roteiro (Laís e o então marido Bolognesi), direção (Laís lógico), atriz Maria Ribeiro, ator (o santista Paulo Vilhena em seu primeiro reconhecimento profissional), Clarisse Abujamra (como coadjuvante) e montagem.
A diretora Laís é filha do famoso realizador e fotografo Jorge Bodansky (famoso principalmente por semi-documentários como Iracema, uma Transa Amazônica, 75, também com Orlando Senna e outros. Muito cedo fez sucesso em filmes como Bicho de Sete Cabeças, Chega de Saudade, As Melhores coisas do Mundo e agora este, seu melhor filme. Desde a escolha do título que recorda Elis Regina/Belchior, a exemplar fotografia e uma história que vai atingir um público em particular feminino, que vai se identificar com as situações, tão nossas, tão reais. É a história de uma certa Rosa (Maria, no papel de sua vida), que vive casada e feliz com as crianças, menos com sua própria mãe, uma mulher dura e infeliz. Que finalmente lhe conta que mentiu, que seu pai verdadeiro é um político, ainda hoje envolvido no governo com quem teve um romance no exterior. Não chega a ser melodrama, apesar da força da interpretação (ocasionalmente interrompida por um divertido Jorge Mautner, liberal e perfeito, como o pai da heroína de 38 anos, que finalmente entra em crise).

É difícil não se deixar envolver pela história muito bem conduzida e interpretada. Pela simplicidade da direção, que evita a câmera na mão, mas tem total controle em cima daquilo que na verdade é uma história humana e convincente com notáveis interpretações, fazendo despontar Paulo Vilhena para o primeiro time de atores (depois de uma carreira como jovem surfista em novelas ele foi evoluindo para o grande profissional que se tornou), cortou os possíveis excessos de Maria e deu um personagem extraordinário para a sempre excelente Clarisse Abujamra (lhe deviam um prêmio desde os tempos de Reinchenbach e Anjos do Arrabalde).

Muito provavelmente é o melhor filme brasileiro do ano e possível indicado ao Oscar de produção estrangeira.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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