RESENHA CRÍTICA: A Guerra dos Sexos (Battle of the Sexes)

Um projeto interessante com elenco de primeira, mas que não tem o impacto devido

19/10/2017 13:23 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: A Guerra dos Sexos (Battle of the Sexes)

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A Guerra dos Sexos (Battle of the Sexes)

EUA, 17. Direção de Jonathan Dayton, Valerie Faris. Roteiro de Simon Beaufoy (Quem Quer ser Milionário, Ou Tudo ou Nada, Jogos Vorazes). Com Emma Stone, Steve Carell, Andrea Riseborough, Natalie Morales, Sarah Silverman, Bill Pullman, Alan Cumming, Eric Chistian Olsen.

Logo a seguir depois de ter ganhado o Oscar de melhor atriz por La La Land, Emma Stone partiu para um desafio com este filme de orçamento modesto de uma subsidiária da 20th Century Fox (que rendeu perto de 8 milhões de dólares no primeiro fim de semana, o que é decepcionante). Na verdade, chegou-se a falar em Oscar para o projeto porque é assinado por uma dupla de prestígio, um casal casado, Valerie Paris e Jonathan Dayton, que já havia trabalhado com ambos antes, Emma e Steve Carell estiveram juntos na deliciosa comédia Amor a Toda Prova (11) e ele sozinho em A Pequena Miss Sunshine (06). Ambos pequenas obras-primas do humor. Pena que não conseguiram repetir a dose.

O desafio do casal de realizadores era justamente contar uma história das antigas de meados de 1973, mas com um ponto de vista novo e ainda muito polêmico. O filme no fundo se dedica a apoiar dois importantes problemas que continuam absolutamente atuais: o respeito pelas mulheres esportistas. Acontece que na época da então campeã de tênis Billy Jean King quando elas eram consideradas seres inferiores, não podiam competir em pé de igualdade e certos campeões brincavam de palhaços durante as disputas, que era a forma de tratá-las como atletas de segunda classe, frágeis e incompetentes. Essa é a chave do filme e as coisas não mudaram muito desde então, mulher ainda é vista pelos homens como ser inferior e basta acompanhar as notícias atuais onde chefes de estúdio, de canais de TV, tem sido detonados justamente por abusarem de mulheres, até comediantes como Bill Cosby (isso para não entrar na situação ainda mais polêmica dos estupros cometidos nas faculdades de qualidade). E o caso ainda mais recente do produtor de cinema Weinstein, que ficou famoso pelo sucesso que teve com filmes de arte envolvidos com o Oscar. Mas agora ficou claro que é um cafajeste, o que está levando a figura a ser despedida de sua própria empresa!

O fato é que os diretores tentaram tratar do assunto com muita delicadeza, sem nunca aprofundar o que seria o mais polêmica, o fato hoje notório de que Billy Jean King era lésbica, tinha uma relação distante com o marido, mas naquela altura não conseguia negar mais a atração por uma cabeleireira com quem começa, durante os próprios jogos, uma ligação romântica (no filme muito discreta demais, para não assustar ninguém!. Covardia foi o que eu pensei!). Dão a impressão inclusive de não deixar Emma acentuar esse lado, parecendo ser uma mulher delicada e frágil, e nem tanto a super campeã e lenda do tênis!

Então Carell é um palhaço Bobby Riggs (literalmente, conforme os americanos gostam) viciado em jogo (é casado com uma mulher rica e distante feita pela esquecida Elisabeth Shue de filmes dos anos 80 como De Volta para o Futuro 2) e Billy fica cercada de velhos ricos e cafajestes, que a menosprezam e fazem tudo para ironizar (mas não forçando o lado lésbico). Esse grupo é formado por um bando de conhecidos atores coadjuvantes, identificá-los aliás é parte da diversão.

Ou seja, um projeto interessante com elenco de primeira, mas que não tem o impacto devido, como discussão de problemas (tanto assim que eles não resistem e felizmente colocam um figurinista gay - feito pelo britânico e famoso Alan Cumming, que tem uma frase no final onde deixa clara as dificuldades de ser homossexual então e continua a ser hoje em dia. É aliás um toque delicado neste filme cheio de boas intenções que logicamente nada te a ver com a telenovela do mesmo nome.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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