RESENHA CRÍTICA: Sem Fôlego (Wonderstruck)

O fato é que o roteiro é muito infeliz, cheio de vais e vens, momentos óbvios ou mortos

03/01/2018 13:12 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Sem Fôlego (Wonderstruck)

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Sem Fôlego (Wonderstruck)

EUA, 17. Direção de Todd Haynes. Oakes Fegley, Millicent Simmonds, Julianne Moore, Michelle Williams, Cory Michael Smith. 117 min. Estreia prevista no Brasil 29 de janeiro.

Apesar de ter sido mal recebido no Festival de Cannes, este filme teve certo prestigio porque seu diretor Todd Haynes tem um público que parecia fiel, por causa de sua carreira curiosa (por exemplo, a preferência pela atriz Julianne Moore, que fez com ele Longe do Paraíso, 02, Carol e aqui tem dois personagens um deles como uma estrela do cinema mudo!). Ela interpreta uma muda e naturalmente se sai muito bem especialmente quando maquiada de mulher mais velha!

A melhor coisa que se pode dizer deste estranho filme é que ele é endereçado a um público mais velho e sofisticado que pode se interessar em visitar museus antigos (há momentos de grande beleza em especial admirando antiguidades das salas vetustas!). Acentuada por uma trilha musical (de Carter Burwell, interminável e exagerada. Por mais que seja bonita, é demais até quando coloca Assim Falou Zaratrusta tocada pelo brasileiro Deodato incluindo a abertura do 2001, uma Odisséia no Espaço.

Também não deixa de ser curioso o fato de que o livro que inspirou o filme foi escrito por Brian Selznick que é justamente o autor de outro sucesso que tem elementos parecidos, no caso a Invenção de Hugo Cabret produzida em 11 por Martin Scorsese. Também é estranho que a atriz que parecia central, Michelle Williams (que aliás se parece muito com o garoto Oakes que faz seu filho infelizmente esse mal interprete!) pois ela some dez minutos depois e deixa-se de aproveitar melhor o ataque dos lobos no inverno! Daí em diante será curioso misturar as duas imagens, inclusive em detalhes de música, de estilo de fotografia (a colorida e barulhenta em Nova York da World Fair de 1964).

O fato é que o roteiro é muito infeliz, cheio de vais e vens (por exemplo, nunca revelar quem era o pai do garoto!) momentos óbvios ou mortos, em particular quando tem que ler papéis porque são mudos! O que podia ser tocante fica redundante ou ridículo (como a amizade sem propósito nascida do ano nada entre o garoto e o garoto local negro e simpático!). Não ajuda que as duas tramas são narradas paralelamente (são dois mudos, mas o problema inicial é com uma menina traumatizada (a garota Millicent Simmonds, de 12 anos, que a interpreta tem realmente dificuldade para falar). Tem momentos bonitos sim. Mas o espectador normal não vai ter paciência de espera-los. Não foi à toa que o filme foi mal de bilheteria lá fora - não chegou a um milhão de dólares de renda - e parece estar fora de qualquer premiação.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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