RESENHA CRÍTICA: A Aparição (L´Apparition)
O filme é por demais arrastado e embora Lindon tenha boa vontade. Nada ajuda. Nem convence. Descartável
A Aparição (L´Apparition)
França, 18. 2h24min. Direção de Xavier Giannelli. Com Vincent Lindon, Galatea Belling, Patrick D´Assumpção, Elena Lowensohn.
Gosto do veterano ator e ocasional diretor Vincent Lindon, que sempre faz personagens interessantes vivendo conflitos humanos e originais. Também o diretor Giannelli fez uma simpática biografia musical de Marguerite (antes que Meryl Streep fizesse a versão americana) e um mais antigo Quando Estou Amando. Mas aqui ele chegou ao abuso, realizou um filme que poderia ser interessante no que acaba se tornando um interminável e cansativo drama religioso que se soluciona de uma maneira banal e evidente. Começa com Lindon que é um jornalista famoso que trabalha num front de guerra (e com problemas de ouvido, que no final das contas não tem qualquer consequência) e está em crise porque seu melhor amigo e parceiro morreu no conflito. Mais ou menos como descanso ele aceita um convite de um nome importante da Igreja Católica que deseja sua opinião (ou seja, deverá ir ate o interior do país, num lugar de montanhas e turistas) para checar e verificar o caso de uma moça muito jovem que é considerada uma santa milagrosa. Um caso que talvez tivesse impacto maior repercussão há 50 anos atrás ou então mais anterior ainda com Nossa Senhora de Lourdes, com Bernadette, aquela da Canção de.
A mocinha que faz o papal é Galatea, de olhos grandes e sinceros, mas que não tem qualquer carisma de santa, a tal ponto que o filme fica no óbvio. Ela se deixa estudar com os que estão estudando o caso, mas eles só dizem pataquadas até que a moça de maneira obvia acaba revelando o que vem a ser uma trama pouco dramática passada em outros países árabes e outras personagens que não ajudam muito. Ou seja, se alguém espera algum escândalo ou grande conflito, esqueça que o filme é por demais arrastado e embora Lindon tenha boa vontade. Nada ajuda. Nem convence. Descartável.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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