RESENHA CRÍTICA: Shazam! (Idem)

Nada justifica uma aventura tão feia, repetitiva e sem graça quanto esta que nem brincadeira. A meu ver este, este foi do gênero o que parecia tão rico e interessante, o pior da espécie.

05/04/2019 15:25 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Shazam! (Idem)

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Shazam! (Idem)

EUA, 2019. 2h12 min. Direção de David F. Sandberg. Roteiro de Henry Gayden, créditos mais de Darrren Lemke, Bill Parker. C.C. Parker. Coprodução de Dwayne Johnson. Com Adam Brody, Zachary Levi, Dhimon Hounsou, Mark Strong (como o vilão Thadeus Sivana), Grace Fulton, Marta Milans, John Glover.

Não conheço o certo David F. Sandberg, que se apresenta como compositor e diretor, que teria feito Annabella 2, Quando as Luzes Se Apagam, mais conhecido como um criador de games, curtas e fotografo de cinema. Mas o que mais estranhei é uma postura tão celebrada para um dos piores do gênero que tive o azar de encontrar. Seu problema básico é o fato de ser inteiramente escuro e por vezes impossível de se enxergar. O roteiro é extremamente discutível, atrapalhado por um monte de jovens atores (ah, os mais velhos são inteiramente indescritíveis e ficam em aparições secundárias). A cada nova cena fui ficando mais assustado! Qual pode ser a proposta desta aventura monstruosa, que se repete, que raramente faz sentindo mas continuam a fazer promoção para que venha a ser um grande êxito (na sessão que eu vi de silencio sepulcral, houve meia de dúzia de assustados que não deram bola nem para uma ceninha quase no final, que aliás não faz valor nenhum aos de outros produtores).

Nada justifica uma aventura tão feia, repetitiva e sem graça quanto esta que nem brincadeira chega a ser, embora pretenda, uma insuportável repetição para mostrar a família inteira de crianças adotadas que vão e voltam para serem dispensadas pela família sem motivação. As crianças são enviadas aos lugares sem família e onde os professores agem com estupidez. Há uma tentativa muito absurda de se ficar repetindo até o infinito os blas blas blas do protagonista vilão que parece saber tudo, e que agora está disposto a detonar com tudo (de vez em quando alguns personagens somem na escuridão mesmo quando tem talento como o Djimon Honsou, mas o verãozinho parece consternado e acaba sendo a pior interpretação da longa carreira do careca, o Mark Strong, que já fez coisas boas, mas nunca tão hediondo quanto aqui!). Não acho que funciona tampouco as jogadas dos pequeninos serem ameaçados e em geral agredidos por colegas (ou por culpa dos pais). Aliás, os próprios personagens mais jovens fazem a auto critica assumindo que se repetem demais, não param de reclamar do fato de terem sido dispensados pelos pais.

A história dos heróis centrais serem divididos por duas pessoas ainda é pior, temos o garoto Freeddy Freeman, como Jack Dylan, enquanto tenta-se provocar alguma graça com a absurda figura do dito Shazam, que é completamente abobado para não fizer nada pior. A diferença dele como adulto já passado com o álter-ego teenage, irrita ainda mais o espectador porque não consegui encontrar qualquer graça no protagonista que seria Zachary Levi, que devem achar que é muito divertido dado a quantidade de séries de TV que ele fez (Chuck era a única que não vinha a ser totalmente ruim, de Thor recuso falar). É um samba de uma nota só, as escuras claro, defendido como “comic-book saga” entre a sátira e a sinceridade, é sem dúvida excepcionalmente antiquado e superado, ofensivo para os antigos Capitão Marvel e ao grito de Shazam! As críticas americanas já foram em sua maioria muito negativas. Mas deixa eu explicar uma coisa fundamental para vocês. Os donos dos estúdios não gostam nada de críticas negativas e detonam já qualquer coisa de duvidosa má qualidade ou negando possíveis suspeitas. Sob pena de cortarem sua cabeça ou ingresso ou facilidades como for o caso. A meu ver este, este foi do gênero o que parecia tão rico e interessante, o pior da espécie.

 

 

Shazam! A Volta do Primeiro Capitão Marvel
Por Adilson de Carvalho Santos

Todos conhecem a palavra mágica: SHAZAM, mas poucos sabem que ele já foi mais popular dos heróis, que ficou no limbo após perder uma longa batalha judicial e que ele foi o primeiro a se chamar Capitão Marvel, muitos antes que a editora Marvel existisse. Ele renasceu nos quadrinhos, migrou para outras mídias e volta em um blockbuster para nos lembrar que é fácil virar um super-herói, basta estar ao alcance de um raio mágico.

Foi com o lançamento de “Action Comics #1” pela National Periodics (atual DC Comics) que se iniciou a era de ouro dos quadrinhos. Talvez seja difícil para as pessoas de hoje, acostumados a tantos super-heróis, imaginarem o impacto daquelas páginas, iniciadas com um imponente homem erguendo carros por sobre a cabeça. Entre os vários personagens surgidos no rastro de vendas do Superman, disputando um lugar na fértil imaginação das crianças, o único que conseguiu rivalizar e superar nasceu da mente do roteirista Bill Parker e do desenhista C.C.Beck, estampando a capa de “Whiz Comics #2”, da editora Fawcett. Também arremessando um carro longe, o novo personagem não era um visitante de outro planeta, mas um menino transformado em um super-herói ao pronunciar o nome de um mago, que é o acrônimo de seis imortais e seus dons (a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, o vigor de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio). Era fevereiro de 1940, um ano depois que Martin Goodman fundasse a Timely Comics (futura Marvel Comics), meses depois de iniciado o conflito na Europa. Billy Batson trabalha como locutor de rádio, e ao ser guiado por uma figura misteriosa até o mago Shazam torna-se seu escolhido para ser um campeão da justiça intitulado “Capitão Marvel”, depois que os editores descartaram a ideia inicial de chamá-lo “Capitão Trovão”. Em 1941, o Capitão Marvel tornou-se o primeiro super-herói a ser adaptado para o cinema, antes mesmo de “Superman” e “Batman”, vivido pelo ator Tom Tyler em “The Adventures of Captain Marvel”, um seriado dividido em 12 capítulos. Não demorou muito para que o herói, cujo rosto desenhado foi inspirado no ator Fred MacMurray, ganhasse mais espaço em novos títulos “Captain Marvel Adventures”, “Wow Comics”, “Marvel Family” e “America’s Greatest Comics”, e logo uma periodicidade quinzenal no auge de sucesso do personagem, vendendo tiragens muito superiores às do Superman.

Claro, que todo esse sucesso despertaria incômodos na concorrência, e a National Periodics processou a Fawcett por plágio. Afinal, haviam semelhanças inegável entre o homem de Krypton e o Capitão Marvel. Ambos com força e habilidades sobre-humanas (embora a princípio o Superman não voasse como o Capitão Marvel, apenas saltava grandes distâncias), o maior inimigo de ambos eram cientistas loucos, Lex Luthor contra o Superman e o Dr.Silvana contra o Capitão Marvel. Ainda assim, a popularidade do Capitão era inegável e seu apelo com o público leitor era uma afronta para a editora do Superman. Em dezembro de 1941 surgiu o Capitão Marvel Jr (Whiz Comics #25) e um ano depois Mary Marvel (Captain Marvel Adventures #18), que teve as feições inspiradas no rosto de Judy Garland, ampliando o conceito inicial para a formação da “Família Marvel”, e outros coadjuvantes chegaram ora como aliados ora como vilões como o Sr.Malhado (o tigre falante), o Sr.Cérebro, o Adão Negro (versão maligna do Capitão) entre outros. Em 1946, um milhão e meio de exemplares vendidos eram uma afronta para a concorrência e uma vitória para a Fawcett Comics, que ganhou o processo movido pela National Periodics.

No início da década de 50, a publicação de quadrinhos de super heróis foi prejudicada pela caça às bruxas iniciada em meados da década anterior pelo psicólogo Dr.Fredrich Wartham, autor de “The Seduction of the Innocents” e os lucros caíram muito quando várias editoras, para sobreviver, se voltavam para outros nichos como histórias de guerra, policiais, cowboys e terror. A National recorreu e a Fawcett se viu com baixas vendas e sem recursos para continuar a se defender. Em 1953, a editora desistiu do Capitão Marvel, interrompendo sua publicação e pagando US$400.000 à editora do Superman. Curiosamente, no Brasil a RGE continuava publicando as aventuras do Capitão Marvel, e na falta de material novo produziu histórias novas com artistas brasileiros, incluindo um encontro não oficial entre o herói da Fawcett e o tocha Humana Original publicado no “Almanaque do Globo Juvenil” de 1964. Essa história é item raro de colecionador.

Em 1973, a agora renomeada DC Comics licenciou o Capitão Marvel junto a Fawcett relançando-o nas bancas. Contudo, Stan Lee havia criado um novo personagem com esse nome em “Marvel Super Heroes #12” (Dezembro de 1967) e, embora o nome pudesse ser usado no interior das histórias, o título da nova revista passou a ser apenas “Shazam”, publicado no Brasil pela editora Ebal. O material trazia os roteiros de Denny O’Neill para os desenhos do próprio C.C.Beck, e já começava com uma irônica capa que trazia o Capitão Marvel ao lado do Superman. A história revelava que nos últimos 20 anos (período em que os personagens não foram publicados) todos estavam congelados por uma invenção descontrolada do Dr.Silvana. À publicação desse material, a Ebal acrescentou nas páginas várias histórias originais dos anos 40. A Ebal ainda publicou em 1980 “Superman Vs. Shazam!”, levando para a fantasia a rivalidade que se instaurou entre as editoras de ambos. Essa rivalidade seria revivida muito mais tarde na mini-serie “O Reino do Amanhã” (Kingdom Come) de Alex Ross e Mark Waid onde Superman e o Capitão Marvel...digo Shazam, travam uma batalha de vida e morte.

Durante os anos seguintes o personagem voltou à mídia televisiva no seriado “Shazam!” com Michael Grey no papel de Billy Batson enquanto o Capitão Marvel foi vivido por John Davey, e depois Jackson Bostwick. O seriado, no entanto, nada tinha a ver com os quadrinhos, sem super vilões a combater, mas sempre com uma mensagem moralizante ao final. A Filmation produziu a série, que no Brasil foi exibida pela Globo e SBT. Recentemente foi divulgado que a série será relançada no serviço de streaming “DC Universe”. Ainda houve uma animação também da Filmation realizada em 1981.

O personagem voltou a ser deixado de lado depois que a DC Comics reformulou seu universo em 1985. Seis anos depois a Dc comprou em definitivo os direitos do personagem e o relançou em 1995 na série “The Power of Shazam” com roteiros de Jerry Ordway que evocavam todo a glória do passado, mas que ainda o deixava como um anacronismo em meio à fase que a editora passava com tragédias como a morte do Superman, a queda do Morcego ou a transformação do Lanterna Verde em Parallax. A revista foi descontinuada após 50 números, mas o personagem ainda recebeu tratamento digno nos especiais “Shazam - O Poder da Esperança” (2000) e “Shazam e a Sociedade dos Monstros” (2003) . Só em tempos recentes com Geoff Johns o personagem foi reformulado na linha “Os Novos 52”. Foi esse material, que deixou de lado em definitivo o título “Capitão Marvel”, e que foi usado como base para o filme estrelado por Zachary Levi. A magia do personagem continua a encantar uma nova geração de leitores, que aprende a descobrir o herói que existe em cada um de nós, crianças e adultos, transformados ao som de um relâmpago mágico.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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