RESENHA CRÍTICA: Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame)

Um verdadeiro épico de três horas como nunca visto antes nas mãos da Marvel e Disney

24/04/2019 15:32 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame)

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Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame)

EUA, 2019. 182 min. Diretores: Anthony Russo, Joe Russo. Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely. Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Brie Larson, Paul Rudd, Don Cheadle, Karen Gillan, Danai Gurira, Bradley Cooper, Gwyneth Paltrow, Jon Favreau, Benedict Wong, Tessa Thompson, Josh Brolin, Tilda Swinton, Robert Redford.

Nestes últimos meses, o resultado dos filmes de ação dos super-heróis chegou a provocar muita expectativa e mesmo ansiedade, dentre os fãs e admiradores do gênero, mas também um certo medo de que fosse o fim de um estilo e gênero, muito admirado por praticamente todo o mundo, fã que se preparava para batalhar o Thanos de Josh Brolin!

No meu caso em especial, fiquei decepcionado com outras aventuras recentes bem mais frágeis (inclusive tecnicamente, além de elenco e personagens de segundo time!). Por isso é muito curioso e interessante, até quando os fãs chegaram ao equivalente da Mitologia grega ao ponto de realizarem um filme suntuoso de 3 horas, que consegue reunir um grupo enorme de personagens recentes da Marvel, no que veio a ser a luta pela sobrevivência de todo um universo! Ainda mais sombrio de que casos anteriores que não teve medo de se tornar o complexo mais profundo (indo em busca de roteiros de Christopher Markus e Stepheen McFeely) de situações mais complexas e interessantes, por vezes sombrias, mas também aproveitando momentos cômicos de figuras como Robert Downey Jr (não esqueçam Infinity War e a renda de 2.048 bilhões de renda pelo mundo afora). Ou então Thanos dizimando a população enquanto figuras como a recente Brie Larson, a capitã Marvel, tem outras ambições. Isso já vai deixando o risco da saga, de que alguma maneira irá explodir num reencontro de veteranos como IronMan, Capitão América/Chris Evans, ou Chris Hernsworth.

O fato é que há muita ação e momentos de confronto, desta vez com maior ousadia e profundidade do que as anteriores, onde os heróis que nós nos acostumamos a gostar. Só que os próprios fãs são os primeiros que perceberam que eles se tornaram mais humanos e dimensionais, como Thor e Capitão América. E os espectadores já se manifestaram sobre o Bruce Banner de Mark Ruffalo, talvez porque o ator tem enorme e natural empatia. Ou melhor dizendo humor, acentuado não só pelos roteiristas, mas também os diretores Anthony e Joe Russo. Que souberam melhor do que costume, controlar a narrativa e a ação.

Não tenham dúvida que este é o tipo de aventura que assistir uma única vez não é suficiente. Já se pode chamar até de clássico, ao mesmo tempo em que se reconhece o talento da dupla de diretores, que sabe conduzir e conquistar o prazer do espectador. Mesmo assim tem gente prevenindo que este filme não tem a mortalidade de um Game of Thrones, de forma que for possível melhor explorar a figura dos heróis. Sim, há batalhas violentas, mas não excessivas, alguma mortes, mas também se conserva Downey/Ruffalo, Hemsworth, Brolin e Paul Rudd como o Ant Man. E como advertiram os jornalistas americanos, tem um lado de fim de certas histórias e personagens, mas também a criação de novas figuras que irão desenvolver e se multiplicar.

 

Vingadores – O Fim do Jogo
Por Adilson de Carvalho Santos

Quando o primeiro trailer de “Vingadores Ultimato” foi divulgado, este tornou-se o primeiro a alcançar 1000 likes em menos de 4 horas no You Tube. Também obteve visualização recorde, com mais de 289 milhões, superando o filme anterior da franquia “Vingadores Guerra Infinita”. Não resta dúvida que tais números servem de termômetro para a chegada do filme que serve de ápice a um planejamento cuidadoso iniciado há 11 anos, e depois de 21 filmes que prepararam o público, incluindo os que nunca leram um quadrinho, mas que passaram a admirar o universo desses heróis.

Os heróis Marvel já vinham colecionando bons momentos nos cinemas no início dos anos 2000 com o sucesso do “Homem Aranha” de Sam Raimi pela Sony, e dos “X Men” pela Fox, mas criar um universo compartilhado, subdividido em fases, ao longo de todo esse tempo, foi uma aposta audaciosa dos estúdios Marvel. A cada cena pós-crédito o público vibrava com os desdobramentos que se seguiram a partir de “Homem de Ferro” (Iron Man) de 2008, que inclusive reascendeu a carreira de Robert Downey Jr, hoje figura central nas aventuras dos Vingadores.

O primeiro filme da equipe, chamada nos quadrinhos de “os maiores heróis do mundo”, chegou às telas em 2012 depois de filmes solos bem-sucedidos com Thor, Capitão América e Homem de Ferro; assim como aconteceu quando Stan Lee inovou a nona arte lançando esses personagens ao longo da década de 60, e depois reunindo-os em uma equipe de pesos pesados para enfrentar a ameaça de Loki, o meio-irmão de Thor. O grande vilão Thanos só viria a surgir em 1973, criado não por Lee, mas pelo autor norte-americano Jim Starlin, que o concebeu como um personagem menor na revista “Iron Man” #55. Starlin desenvolveu as origens e motivações de Thanos ao longo dos anos seguintes confrontando-o com outros heróis como “Homem Aranha”, “Quarteto Fantástico” e “Capitão Marvel” até finalmente envolver os Vingadores. Nos quadrinhos, a derrota de Thanos veio nas mãos de Adam Warlock, um ser artificial criado por cientistas renegados.

No cinema Thanos ficou um longo tempo como um observador oculto nos bastidores tramando se apoderar das jóias do infinito. Joss Whedon dirigiu o filme dos Vingadores e sua sequência “Vingadores: A Era de Ultron”, de 2015 onde os heróis enfrentam o robô Ultron, criado nos quadrinhos em 1968 por Roy Thomas e John Buscema. O vilão foi uma experiência frankensteniana do Dr.Hank Pym, mergulhado em complexo de Édipo. No filme, no entanto, essa essência se perdeu, e o personagem foi resumido a uma criação mal-sucedida de Tony Stark.

Nesse meio tempo, a Marvel teve seus altos e baixos: Aproveitou bem personagens menos conhecidos como “Guardiões da Galáxia” (2014 e 2017) e “Homem Formiga” (2015 e 2018), cada qual com características próprias funcionando perfeitamente, vistos isolados ou como parte de um plano maior. Mesmo com sucesso comercial nem tudo funcionou com perfeição na passagem das hqs para as telas: o vilão Mandarim foi mal aproveitado em “Homem de Ferro 3” (2012) , e o Hulk foi reduzido a coadjuvante da luxo nos filmes sem protagonizar uma aventura solo à altura de décadas de excelentes histórias, apesar de duas tentativas em 2003 e 2008.

Contrabalançando tudo os resultados foram triufantes em “Capitão América Soldado Invernal” (2014) e “Capitão América Guerra Civil” (2016), flertando com tramas conspiratórias e de espionagem que mostram que o gênero podia ter um conteúdo além da simplória luta entre o bem e o mal. Os filmes da Marvel acertaram em buscar representatividade e lançaram “Pantera Negra” (2018) e “Capitã Marvel” (2019), explorando valores que já eram diferenciais quando Stan Lee deu vida a todo um universo, e o fez com talentos do quilate de Jack Kirby, John Buscema, Jim Steranko, Roy Thomas, Len Wein, Don Heck, Steve Englehart, Steve Dikto entre outros. O produtor Kevin Fiege, o homem forte do estúdio, conseguiu trazer o Homem Aranha para os filmes compartilhados, fez do “Dr.Estranho” (2017) um sucesso explorando elementos místicos em um contexto em que a linguagem da ficção cientifica trata de universos, dimensões paralelas e alienígenas. Personagens como Nick Fury (Samuel L.Jackson), Viúva Negra (Scarlett Johanson), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e outros tornaram-se conhecidos pelo público em geral, não apenas pelos aficionados, que se importam com o destino dos personagens.

 Com “Guerra Infinita” ano passado, a Marvel reuniu um multi-elenco de mais de 30 personagens desfilando pela tela em uma história apocalíptica. Resta saber como os heróis sobreviventes reagirão ao estalar de dedos que, há um ano, vem criando uma gigantesca expectativa, fazendo fãs evitarem spoilers com o mesmo empenho com o qual vem acompanhando passo a passo a jornada desses heróis, uma verdadeira odisseia que se transformou em objeto de adoração e culto na cultura pop, ícones de um moderna mitologia que começou, na verdade, quando Stan Lee – imaginamos – disse algo como “Tenho uma ideia!” Assim se fez a luz, com papel e nanquim e agora em cenas digitais de um jogo que não chega exatamente a um fim, mas a um novo começo.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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