RESENHA CRITICA: O ULTIMO AZUL
Um drama sensivel e visualmente elegante, sustentado por uma grande atuacao feminina.Cinema de atmosfera, que aposta mais na emocao silenciosa do que no espetaculo.
Há filmes que nascem discretos, quase silenciosos, mas que aos poucos revelam um universo emocional surpreendente. O Último Azul segue exatamente esse caminho. À primeira vista parece um drama intimista, mas logo demonstra ambições maiores, tanto visuais quanto narrativas.
A história acompanha uma protagonista marcada por perdas e memórias que insistem em retornar. A narrativa prefere observar os gestos, os silêncios e os pequenos detalhes da vida cotidiana, apostando mais na sensibilidade do espectador do que em grandes reviravoltas dramáticas.
A atriz principal (Denise Weinberg) sustenta o filme com notável presença. Sua interpretação é contida, quase minimalista, mas repleta de nuances. Há momentos em que apenas um olhar transmite mais emoção do que páginas de diálogo. É uma atuação delicada, que revela maturidade e compreensão profunda da personagem.
Rodrigo Santoro aparece em participação importante, trazendo sua habitual elegância cênica. Mesmo em tempo limitado, ele imprime densidade às cenas em que surge, funcionando como um contraponto emocional para a jornada da protagonista. Santoro demonstra novamente por que é um dos atores brasileiros mais versáteis de sua geração.
A direção aposta em imagens contemplativas e em um ritmo deliberadamente pausado. Nem todos os espectadores terão paciência para esse tempo narrativo, mas quem aceitar a proposta encontrará um filme de grande sensibilidade visual.
Há também um cuidado especial na fotografia, que utiliza tons frios e azulados para refletir o estado emocional da personagem. O resultado é um ambiente quase melancólico, coerente com o tom da história.
Nem tudo funciona perfeitamente. Em alguns momentos o roteiro parece hesitar entre o drama intimista e uma dimensão mais simbólica, o que pode gerar certa irregularidade narrativa.
Ainda assim, O Último Azul revela um cinema brasileiro interessado em sentimentos e atmosferas, mais do que em fórmulas fáceis. Não foi por acaso que conquistou o prêmio de Urso de Ouro no Festival de Berlim, dentre outros, e poderia ser o nosso candidato ao Oscar.
Nota: 4/5
Sobre o Colunista:
Edinho Pasquale
Editr-Executivo do site DVDMagazine
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