RESENHA CRÍTICA: Duas Vidas (Zwei Leben)
É um prazer ter de volta a magnífica atriz bergmaniana Liv Ullman
Duas Vidas (Zwei Leben)
Noruega/Alemanha, 12. 97 min. Direção de Georg Maas, Judith Kauffman. Com Liv Ullman, Juliane Kohler, Sven Nordin, Ken Duken, Rainer Bock, Julia Bache Wig.
É um prazer ter de volta a magnífica atriz bergmaniana Liv Ullman depois de uma ausência de alguns anos onde se dedicou a dirigir (seu ultimo trabalho com Bergman foi Sarabanda, 03). Não é preciso repetir que a considero a melhor atriz de cinema de todos os tempos (próxima a Vanessa Redgrave) e alguns contatos pessoais com ela só fiquei ainda mais apaixonado pela sua sensibilidade e encanto.
Talvez se fosse exigente o filme não mereça Liv, já que nem faz a protagonista numa co-produção entre Alemanha e seu pais natal a Noruega. A história acontece em 1990, quando caiu o muro de Berlin. Katrine (Juliane Kohler conhecida por A Queda, Lugar Nenhum na Africa, Aimée e Jaguar) que cresceu na Alemanha Oriental, está vivendo na Noruega há mais de 20 anos, como órfã de guerra. Resultado do romance entre uma norueguesa e um soldado alemão nazista do exército de Ocupação da Noruega durante a Segunda Guerra Mundial.
Katrine tem uma vida normal e bastante feliz, com sua mãe, seu marido, filha e neta. Mas tudo desmorona quando um advogado pede para ela e sua mãe testemunharem contra o governo da Noruega lutando a favor dos filhos da Guerra. Mas ela resiste por causa do escândalo. Seria difícil romper a barreira de silêncio que esconde antigos segredos de que ninguém mais quer ouvir falar. Finalmente tem que tomar uma posição: manter a vida de sempre ou assumir que tudo foi baseado numa Mentira.
Infelizmente o papel de Liv é relativamente pequeno e lhe exige pouco, a não ser por uns poucos textos já ao final. Não sei também se com tantos dramas mais recentes ou atuais de crimes semelhantes ou muito piores, esta história ainda vai encontrar muita ressonância com as espectadoras (ainda que tenha sido feito profissionalmente). Eu fiquei com vontade de ter mais Liv em algo mais significativo.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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