RESENHA CRÍTICA: Vidas Duplas (Doubles Vies)
Um elenco estrelar interessante ajuda muito a manter o interesse deste discutível romance (com poucas pretensões a comédia)
Vidas Duplas (Doubles Vies)
França, 1955. 1h48 min, Paris. Direção e Roteiro de Olivier Assayas. Com Guillaume Canet, Juliet Binoche, Vincent Macaigne, Christa Theré, Nora Hamzawi, Pascal Greggory.
Um elenco estrelar interessante ajuda muito a manter o interesse deste discutível romance (com poucas pretensões a comédia). Embora o diretor Assayas tenha uma bela carreira, roteiros interessantes e parceria com a dupla central, a vencedora do Oscar Binoche e o também famoso Caunet (que foi marido de Diane Kruger e parceira de Marion Cotillard). Passa-se no mundo editorial de Paris quando estão em crise um casal especialista nisso, com problemas com a crise de meia idade, a mudança da indústria, e suas esposas. O filme não teve boa repercussão nem na Europa, aonde os personagens foram considerados petulantes e sem humor, com excesso de conversas, momentos intelectuais e muitos monólogos!
Assayaas inspirou-se no trabalho de Eric Rohmer procurando retomar o seu estilo, rodando tudo em Super 16 mm. Segundo ele, na França ainda se conseguem fazer este tipo de filme intelectualizado. Ele também cita o filme como o de Woody Allen, que Assayas aprecia, também como autor de muitos diálogos. O título original do filme foi E-Book! Quando começou a escrever o roteiro no começo dos anos 2000, justamente sobre editores. E também aproveitando os seus fiéis e colegas.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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