A Montanha Sagrada

Num mundo corrupto e violento, um ladrão (Horacio Salinas) caminha errante em busca de salvação. Cruza com um alquimista (Alejandro Jodorowsky), que o apresenta a sete pessoas vindas de sete planetas solares. Todos estão à procura da Montanha Sagrada.

09/07/2017 00:05 Por Felipe Brida
A Montanha Sagrada

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A Montanha Sagrada (La montaña sagrada). México/EUA, 1973, 115 min. Drama. Dirigido por Alejandro Jodorowsky. Distribuição: Obras-primas do Cinema

Um dos filmes mais surrealistas de todos os tempos, ousado, hermético no sentido, de difícil interpretação e que contesta o consumismo, a ditadura da beleza, a guerra, o sensacionalismo da mídia e, claro, todas as formas de religião. Escrito e dirigido pelo chileno Alejandro Jodorowsky (que interpreta um alquimista meio guia espiritual) três anos depois do cultuado e bizarro faroeste “El topo” (1970), a obra extensivamente crua e filosófica gera incômodo pelas imagens fortes e profanas, como a marcha de soldados levantando cruzes com corpos de carneiros sem pele, excrementos em igrejas e fuzilamentos – na época muitas sequências passaram por censura em alguns países. Bem inserido na Estética do Feio, o polêmico filme se passa em um lugar qualquer da América Latina com evidências de regime ditatorial (foi produzido no México), discutindo o autoritarismo nas relações de poder e a repressão de grupos marginalizados, numa época onde Golpes de Estado e regimes militares invadiam o mundo espalhando o medo.

Um experimento sem limites de um diretor ultracriativo, que também pensou em cada milímetro de cenário, com pura geometria, e de figurinos excêntricos (as cores vibrantes inundam a tela num espasmo sensorial). Um delírio cinematográfico como só Jodorowsky ousou fazer. Para ver e refletir.

 

 

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Sobre o Colunista:

Felipe Brida

Felipe Brida

Jornalista e especialista em Artes Visuais e Intermeios pela Unicamp. Pesquisador na área de cinema desde 1997. Ministra palestras e minicursos de cinema em faculdades e universidades. Professor de Semiótica e História da Arte no Imes Catanduva (Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva) e coordenador do curso técnico de Arte Dramática no Senac Catanduva. Redator especial dos sites de cinema E-pipoca e Cineminha (UOL). Apresenta o programa semanal Mais Cinema, na Nova TV Catanduva, e mantém as colunas Filme & Arte, na rede "Diário da Região", e Middia Cinema, na Middia Magazine. Escreve para o site Observatório da Imprensa e para o informativo eletrônico Colunas & Notas. Consultor do Brafft - Brazilian Film Festival of Toronto 2009 e do Expressions of Brazil (Canadá). Criador e mantenedor do blog Setor Cinema desde 2003. Como jornalista atuou na rádio Jovem Pan FM Catanduva e no jornal Notícia da Manhã. Ex-comentarista de cinema nas rádios Bandeirantes e Globo AM, foi um dos criadores dos sites Go!Cinema (1998-2000), CINEinCAT (2001-2002) e Webcena (2001-2003), e participa como júri em festivais de cinema de todo o país. Contato: felipebb85@hotmail.com

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