RESENHA CRÍTICA: Depois Daquela Montanha (The Mountain Between Us)

Uma história de amor e paisagem, mas o livro original é melhor

07/11/2017 06:39 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Depois Daquela Montanha (The Mountain Between Us)

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Depois Daquela Montanha (The Mountain Between Us)

EUA, 2017. 1h53min. Direção de Hany Abu-Assad. Roteiro de J. Mills Gooddloe e Charles Martin (e Roteiro de Chris Weitz). Com Idris Elba, Kate Winslet, Beau Bridges, Dermot Mulroney, Linda Sorensen, Vincent Gale, Marci T. House.

Há alguns anos atrás em 2005, o diretor judeu Hany Abu-Assad, nascido em Nazaré, 1965, depois de quatro filmes fez sucesso como Paradise Now, indicado para um Oscar de filme estrangeiro, ganhando 3 filmes em Berlin e representando a Palestina (era a história de dois jovens amigos de infância que são convocados para realizarem um atentado onde explodirão seu próprio corpo!). Os trabalhos seguintes foram menos memoráveis, incluindo episódio em Story in Human Rights (A Boy, A Walk and a Donkey), seguido depois por Do Not Forget Me Istambul (10, que foi visto por aqui, mostrando várias pessoas tentando viajar até a cidade de Istambul). Dois anos depois fez Entrega de Risco (The Courier), estrelado pelo americano Harry Dean Morgan, Lili Taylor, Miguel Ferrer, Mickey Rourke e o alemão Til Schweiger. Basicamente um filme de ação sobre o entregador que faz qualquer coisa para cumprir suas funções.

Seguido no ano seguinte por Omar, 13, novamente indicado ao Oscar, sobre guerrilheiro palestino que é informante quando um soldado de Israel é morto. Já em 2005, outro filme The Idol, sobre aspirante a músico que vive em Gaza, mas que sonha em ganhar um show chamado Arab Idol. Foi o menos famoso dele se bem que encontrou aqui seu obstáculo maior, já que este filme foi uma decepção de bilheteria. Com orçamento de 35 milhões rendeu 25 milhões e críticas muito negativas. A princípio achei que era culpa do diretor que controla as emoções e o romance chegando ao ponto de truncar a cena final que deveria ser justamente o apogeu do filme. Aliás esse clima romântico é muito seguro para o que não chega a ser um grande romance ou uma história de aventuras na neve. A dupla central é querida demais pela imprensa, o ator britânico Idris Elba (que também está no atual Thor, no A Torre Negra, no ainda inédito Molly´s Game e as séries de TV In the Long Run e Guerrilla) e a britânica Kate Winslet (ganhou um Oscar por O Leitor e teve outras 6 indicações incluindo Titanic).

Só há pouco vim a descobrir através de outra jornalista que leu o livro original que ele foi totalmente transformado a ponto de mudar quase absolutamente tudo (são dois cachorros por exemplo, dois filhos, o final não é aquele, o herói tem uma mulher com problemas-estou tentando não revelar muito mais dois filhos pequenos em risco etc e tal). Enfim, é tudo tão diferente, tão inferior, inclusive o final que o conselho é ler o livro que é bem envolvente e não tem ao menos abertamente problemas de preconceito racial. O culpado parece ser justamente o roteiro contratado que é o conhecido Chris Weitz (filho da atriz Susan Kohner, de Imitação da Vida e que fez algumas coisas boas como About a Boy, o Rogue de Star Wars com certeza este provocou tudo e deve ter deixado o diretor acostumado a filmes de arte, muito aborrecido). Também os poucos coadjuvantes não têm chance (é o Beau Bridges, irmão de Jeff e Dermot Mulroney, apático como o ex-marido).

Enfim, uma história de amor e paisagem, nem mencionei o óbvio: um casal se encontra num aeroporto cheio de gente, ambos tentando alugar um avião antigo para irem num encontro, ela indo procurar o provável marido, ele é médico. Mas o avião sofre um acidente, cai em montanhas geladas (e fotogênicas claro) e eles tentando sobreviver acabam se envolvendo. Enfim, o casal é bom, mas o livro é melhor.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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