RESENHA CRÍTICA: Deserto (Desierto)

Embora não seja um clássico pode prender a atenção se você não exigir muito

07/11/2017 07:18 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Deserto (Desierto)

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Deserto (Desierto)

México, França, 2015. 1h28 min. Direção e roteiro de Jonas Cuaron (co-roteiro de Mateo Garcia. Com Gael Garcia Bernal, Jeffrey Dean Morgan, Alondra Hidalgo, Diego Cataño, Marco Perez, David Peralta Arreola, Lew Temple.

É preciso dar atenção a este filme porque a semelhança que você notou no crédito do nome do diretor há uma razão forte de ser. Trata-se realmente do filho do diretor do ainda jovem e já muito famoso diretor mexicano Alfonso Cuaron (e por isso foi co-roteirista do sucesso Gravidade, 13, do pai). Cuaron pai foi na verdade descoberto por Spielberg ainda muito jovem, acabou de fazer o drama Roma, um telefilme de terror com Casey Affleck, e eu aprecio especialmente Filhos da Esperança e Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Ele tem outro filho, meio irmão de Jonas, ator e montador que está também neste filme e também já dirigiu três curtas. Chama-se Diego Cataño e faz o papel de Mechas, um dos últimos a ser morto!

Este não é o primeiro longa do jovem Jonas que fez curtas, o longa Año Uña, e está realizando agora Z com Gael Garcia Bernal. Também está longe de ser uma novidade, porque já vimos vários filmes sobre esse mesmo tema, a dificuldade de impedir que os emigrantes mexicanos venham para os EUA, um tema muito caro ao atual presidente Trump! Aqui o filme chegou a ser indicado para o prêmio Ariel do México como filme, direção e roteiro, e ganhou prêmio da crítica no Festival de Toronto.

Mais de ação do que qualquer outra coisa, começa mostrando o pequeno grupo de emigrantes (Gael entre eles ao menos é mecânico, o que servira depois para a trama) que tentam atravessar o deserto mas desperta a atenção de um oficial americano selvagem e matador (Jeffrey Dean atualmente especialista como vilão vindo do The Walking Dead) que assassina a tiros de espingarda a maior parte deles. Sobra um pequeno grupo que é atacado por um cachorro selvagem e maldito além de Gael e um moça, que procuram escapar.

Ou seja, é basicamente uma caçada humana, filmada em fortes imagens do deserto e céu azul, totalmente em externa, cruel e eficiente, mas a única bala que vi perdida é justamente quando não acerta Gael! Ou seja, o filme embora correto e movimentado, faz lembrar muitos outros semelhantes (tem orçamento modesto de três milhões). Por exemplo, cai em clichês como o casal que no meio do deserto num break difícil de justificar começa a bater papo e trocar ideias do passado. Acredita que tem até ninho de cascavéis e floresta de cactos?! Mas não gosto do final prolongado. Enfim, embora não seja um clássico pode prender a atenção se você não exigir muito.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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