RESENHA CRÍTICA: Colheita Amarga (Bitter Harvest)

boas intenções raramente resultam em grandes filmes. E este é o mesmo caso. Uma pena.

24/05/2018 23:33 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Colheita Amarga (Bitter Harvest)

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Colheita Amarga (Bitter Harvest)

Canadá, 17. 1h43min. Direção de George Mendeluk. Roteiro de Richard Hoover, Mendeluk baseado em livro de Hoover. Com Terence Stamp, Barry Pepper, Max Irons, Tom Austen, Samantha Banks, Anuerin Barnard.

De vez em quando surgem nas nossas telas estranhos filmes de origem curiosa, como é o caso desta aventura política-romântica feita por um diretor desconhecido entre nós. Mendeluk é alemão da Bavária (1948- ) que tem 72 créditos, entre trabalhos para cinema e televisão, com muitas séries e telefilmes. Mas poucos longas, desde 1979, onde teve uns títulos igualmente sem importância (Almôndegas 3, Fazendo Hora, Sequestro do Presidente). Será que existe ainda público para um projeto destes? Ainda mais quando o protagonista é o mal lembrado Max Irons, que não herdou o talento do pai Jeremy Irons e a mocinha é Samantha Banks (Les Miserables). Diz a divulgação de imprensa que após visitar a Ucrânia, terra de seus ancestrais, o roteirista canadense Richard Bachynsky-Hoover ficou obcecado pela história do “Holomodor”, política criada por Stalin na qual fez a população passar fome e ser dizimada nos anos 30. Após descobrir que não havia nenhum documentário em inglês sobre o tema, decidiu que era importante que ele mesmo o fizesse, porém, em suas palavras, “de uma maneira que tocasse a sensibilidade humana, para que o público pudesse experimentar a emoção do que aconteceu na Ucrânia”. Após as tentativas frustradas de conseguir financiamento, Hoover contatou Ian Ihnatowycz, que acreditou na história e financiou sozinho o filme todo. O diretor escolhido foi George Mendeluk, cuja mãe sobreviveu ao “Holomodor” após fugir para o Canadá com seu marido e filho.

A história se passa na Ucrânia, o país rebelde contra Putin e sua política perigosa e violenta de anexação a qualquer preço. Mas o lado político é relativamente discreto no aspecto anti-Rússia, porque é uma história de época, romântica, mas com jeitão de telefilme (o que os americanos chamavam de movie of the Week). Se passa perto de Kiev, uma história de amor entre Yuri e Natalka que caem vítimas do coletivismo, o assassinato em massa do monstruoso Stalin, entre 1932-22, quando confiscaram a produção de trigo tendo liquidado uma população entre 2.5 a 10 milhões, num dos atos de terror mais terríveis e menos conhecido. Esse é o chamado Holodomor ou Morte por Fome. Apesar da reação dos camponeses que são poucos e desarmados.

A figura mais forte do filme não é o Gary Oliver que faz de forma caricatural o monstruoso Stalin, mas o britânico Terence Stamp (lendário desde os filmes com Pasolini e Fellini) que faz o avô de Yuri, um antigo guerreiro (muito elogiada é a fotografia de Douglas Milsome, já que ele fez com Kubrick O Iluminado e Nascido para Matar). Ainda assim, boas intenções raramente resultam em grandes filmes. E este é o mesmo caso. Uma pena.

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