NOS CINEMAS O MORRO DOS VENTOS UIVANTES
Uma tempestade que impressiona na paisagem. Mas que nunca explode no coracaoo dos protagonistas
O Morro dos Ventos Uivantes retorna às telas em 2026 cercado de expectativa - e controvérsia. Revisitar um clássico dessa dimensão exige talento, sensibilidade e, acima de tudo, verdade emocional. Infelizmente, nem tudo aqui encontra esse equilíbrio.
A direção investe pesado na atmosfera sombria. Ventos constantes, paisagens áridas e fotografia fria ajudam a criar um clima opressivo. Visualmente, o filme é impecável.
O problema começa quando a intensidade precisa sair da paisagem e entrar nos personagens. A relação central, que deveria ser devastadora, nunca convence.
Falta química, falta tensão, falta aquele magnetismo que justifique tanta obsessão.
A atriz que vive Catherine, Margot Robbie, até tenta imprimir ambiguidade e fúria.
Em alguns momentos, consegue transmitir conflito interno. Mas atua praticamente sozinha em cena. Não vou entrar na polêmica da idade e de ser loira...
O ator principal, no papel de Heathcliff, Jacob Elordi, é o grande ponto fraco. Sua interpretação é monótona, pouco expressiva e emocionalmente rasa. Onde deveria haver dor contida, vemos apatia. Onde deveria haver paixão destrutiva, surge rigidez mecânica. O personagem, que é um dos mais complexos da literatura, torna-se quase unidimensional. E isso compromete todo o arco dramático. Sem um Heathcliff convincente, a história perde o centro gravitacional.
As polêmicas envolvendo escolhas de elenco e mudanças na narrativa ganharam força. Mas o maior problema não está na atualização do texto, para muitos erotizado demais. Está na incapacidade de sustentar a intensidade que o material exige. O ritmo arrastado amplia a sensação de vazio emocional. Há cenas longas que pedem catarse - e entregam indiferença.
Tecnicamente bem acabado, emocionalmente falho. Um filme bonito de se ver, quase um muito longo videoclipe, mas difícil de sentir. Para as novas gerações que não conhecem as versões anteriores, pode até funcionar e emocionar.
Nota: (2,7/5)
Sobre o Colunista:
Edinho Pasquale
Editr-Executivo do site DVDMagazine
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