RESENHA CRITICA: PRIMEIRO AS DAMAS (2026)
Um drama atual e necessario que transforma um tema sensivel em reflexao acessivel para diferentes geracoes. Mais do que convencer, o filme busca estimular o debate e alcanca esse objetivo com competencia
Em tempos de debates cada vez mais intensos sobre igualdade de direitos, Primeiro as Damas surge como um filme que não tem receio de entrar em terreno delicado. O tema pode gerar controvérsias entre diferentes públicos, mas sua relevância é inegável. Afinal, discutir o papel da mulher na sociedade continua sendo uma necessidade e não apenas uma escolha.
A trama acompanha personagens femininas de diferentes gerações que enfrentam obstáculos profissionais, familiares e políticos, construindo um mosaico interessante sobre conquistas e desafios ainda presentes. O roteiro evita transformar suas protagonistas em figuras perfeitas, permitindo que sejam humanas, contraditórias e, por isso mesmo, mais próximas do público.
O elenco feminino é o grande destaque da produção. As atrizes demonstram segurança e intensidade dramática, entregando interpretações que sustentam os momentos mais emocionantes. Há química entre as personagens, e isso fortalece a narrativa mesmo quando o texto se torna excessivamente didático. Destaque para a sempre ótima Rosemund Pike, segura bem a personagem principal.
Sacha Baron Cohen como protagonista está adequado, mesmo nos momentos em que ele lembra as comédias escrachadas como Borat. Os atores coadjuvantes cumprem bem suas funções, embora algumas figuras masculinas pareçam existir apenas para reforçar os conflitos centrais. Ainda assim, o equilíbrio geral funciona e contribui para o debate proposto.
A direção de Thea Sharrock opta por uma abordagem acessível, evitando radicalismos visuais e concentrando forças nas relações humanas. O resultado é um filme que busca provocar reflexão sem abandonar o entretenimento.
Nem tudo funciona perfeitamente. Em alguns momentos, o discurso se sobrepõe ao desenvolvimento dramático, tornando certas cenas previsíveis. Ainda assim, a sinceridade da proposta e o empenho do elenco compensam essas pequenas fragilidades.
O mérito maior de Primeiro as Damas está em lembrar que os direitos das mulheres não são uma pauta passageira, mas uma discussão permanente sobre cidadania, respeito e igualdade de oportunidades.
É um filme que convida ao diálogo e que certamente despertará opiniões distintas, algo que também faz parte de sua importância cultural.
Nota: 4/5
Sobre o Colunista:
Edinho Pasquale
Editr-Executivo do site DVDMagazine
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