OSCAR 2026: A MEIA-IRMA FEIA

Uma releitura que troca o sapatinho de cristal por uma pergunta incomoda. E prova que, as vezes, a verdadeira feiura está no olhar de quem julga

08/02/2026 03:43 Por Edinho Pasquale
OSCAR 2026: A MEIA-IRMA FEIA

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A Meia-Irmã Feia parte de um conto conhecido, mas escolhe olhar para o lado que ninguém queria ver. E só essa decisão já dá ao filme um sabor curioso, quase provocador. Aqui não há princesas de porcelana nem vilãs de desenho animado. Há gente ferida, mal resolvida e cansada de ser definida pela aparência.

O filme prefere mostrar que contos de fadas também são versões mal contadas da realidade. A direção conduz a narrativa com um pé no fantástico e outro no drama psicológico. Essa mistura cria um clima curioso, às vezes desconfortável, mas sempre interessante.

Visualmente, há ecos do gótico europeu, mas com tempero contemporâneo. Os cenários não são apenas bonitos; ajudam a contar o aprisionamento emocional da protagonista.
Eles têm textura, peso, poeira — nada de brilho fácil. Isso ajuda a tirar a história do território infantil e levá-la para o drama psicológico, ajudam a contar o aprisionamento emocional da protagonista. Nem todas as escolhas funcionam, mas a ousadia merece aplauso.

A atriz principal segura o filme com segurança impressionante. Ela constrói a personagem sem pedir pena do público. Mostra dureza, ironia, dor acumulada e uma carência que escapa nos silêncios. É um trabalho físico e emocional, cheio de nuances.Seu rosto diz o que o texto nem sempre explica.É uma atuação que convida o espectador a rever seus próprios julgamentos.

Já a “heroína” tradicional aparece sob outra luz. A figura da “princesa ideal” surge quase como um fantasma social, não como pessoa. Isso dá à história uma camada crítica que vai além da fantasia. Menos perfeita, mais ambígua, quase cúmplice do sistema que machuca. A atriz segura bem essa dualidade, embora o papel seja menos explosivo.

O elenco de apoio ajuda a dar densidade ao ambiente opressor. Não são caricaturas: são peças de uma engrenagem social cruel. E o filme deixa claro que contos de fadas sempre foram sobre poder. O ritmo oscila em alguns trechos mais contemplativos.
Mas até essas pausas ajudam a criar atmosfera, não são gratuitas. O filme sabe que silêncio também pode ser narrativa.

Visualmente, há um cuidado interessante com sombras e enquadramentos fechados. A sensação é de confinamento, como se a personagem estivesse presa a um espelho invisível. A trilha evita melodias doces e reforça o desconforto.

A grande sacada está na forma como a história original é desmontada. Não há deboche, há questionamento. E isso torna a experiência mais madura do que o título sugere.

O ritmo por vezes se arrasta, é verdade. Mas essa lentidão também serve para fazer o incômodo durar. Não é entretenimento leve, é fábula amarga para tempos vaidosos.

Nota:  4/5

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Sobre o Colunista:

Edinho Pasquale

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Editr-Executivo do site DVDMagazine

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