RESENHA CRÍTICA: Jogo das Decapitações

RESENHA CRÍTICA: Jogo das Decapitações

18/06/2014 14:54 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: Jogo das Decapitações

tamanho da fonte | Diminuir Aumentar

Jogo das Decapitações

Brasil, 13. Direção de Sérgio Bianchi. Com Fernando Alves Pinto, Clarisse Abujamra, Silvio Guindane, Maria Manoella, Maria Alice Vergueiro, Sérgio Mamberti, Paulo Cesar Pereio, Renato Borghi, Anna Carbatti, Antonio Petrin, Magali Bif, Camila Bevilacqua, Patricio Bisso.

 

Mais um filme nacional vítima da atual “síndrome de decapitação” (poderíamos até chamar assim), ou seja, lançar filmes brasileiros nas poucas vagas surgidas com a Copa do Mundo e a vontade de não lançar blockbusters (que perderiam seu poder de bilheteria). O excesso de títulos justamente disputando uns aos outros no pior momento ao menos deste ano para exibir um filme nacional. Isso é triste, mas são as regras do jogo e reclamar não vai mudar coisa alguma. Enquanto isso, este mais recente trabalho do polêmico e brilhante Sergio Bianchi, corre o risco de nem ofender os seus algozes, nem mexer nas feridas, ou sequer atrair os que como eu ainda se divertem e aplaudem sua incansável luta (não perfeita, claro, mas ao menos ainda reclama, denuncia, resmunga, as vezes até xinga). De tal forma, que este talvez seja o filme mais mal formato dele nos últimos anos, episódico , confuso, cheio de ideias interessantes que vão se perdendo pelo caminho. Sem a merecida conclusão.

O fato do próprio Sérgio afirmar que está confuso com o caos atual não ajuda muito o fato de que seu protagonista, Leandro, o normalmente confiável Fernando Alves Pinto, ganhou um personagem confuso, que balança entre diversas posições, que não se resolve como ser humano (deixa-se claro ser homossexual mas não se assume, nem em armário). Sua perplexidade varia entre a figura da mãe – a ótima Clarisse Abujamra, que finalmente parece ter sido descoberta pelo cinema, faz Marília, a mãe dele envolvida em ONGs e Partidos não muito claros, que continua a sustentá-lo enquanto ele tenta fazer seu pós-graduação e entender porque seu pai Jairo, já falecido (Pereio e em fotos mais antigos, o filho dele), chegou a ser preso, passeou por tantas posições, que agora não fazem mais sentido. Só que na verdade Sérgio acena com várias malesas de nosso tempo: assaltos a esmo, justiça pelas próprias mãos, a própria situação da mãe que briga por receber dinheiro por ter sido presa. E assim por diante. Ajudando também num canal de TV (mostrado de forma muito pouco realista) ao menos deixar o amigo negro tentar se exprimir (cabe ao veterano Silvio Guindane, ótimo ator infantil ter sua melhor interpretação dos últimos tempos como o amigo Rafael).

Mesmo o humor constante na obra de Sérgio desta vez fica num segundo plano. A ideia central é a busca de um filme que Jairo teria feito (para isso foi usado um dos primeiros trabalhos do próprio Sérgio, Maldita Coincidência, 79, que dá uma visão interessante da época). Mas mesmo o filme mostrado em parte ao final também não revela nada de novo ou acrescenta aos fatos. Talvez a situação atual esteja realmente tão caótica e confusa que o próprio diretor nem soube rir ou criticá-la com mais sabedoria!

Linha
tamanho da fonte | Diminuir Aumentar
Linha

Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

Linha
Todas as máterias

Efetue seu login

O DVDMagazine mantém você conectado aos seus amigos e atualizado sobre tudo o que acontece com eles. Compartilhe, comente e convide seus amigos!

E-mail
Senha
Esqueceu sua senha?

Não é cadastrado?

Bem vindo ao DVDMagazine. Ao se cadastrar você pode compartilhar suas preferências, comentar ou convidar seus amigos para te "assistir". Cadastre-se já!

Nome Completo
Sexo
Data de Nascimento
E-mail
Senha
Confirme sua Senha
Aceito os Termos de Cadastro