FILMES EM CARTAZ

Veja que se tem bons filmes para assistir no cinema ou em casa neste inverno

08/07/2026 04:16 Por Felipe Brida
FILMES EM CARTAZ

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Cinco da tarde

Filme brasileiro de marca autoral (escrito e dirigido por Eduardo Nunes) que beira o contemplativo ao discutir os desdobramentos do luto familiar pelo ponto de vista de uma adolescente. Anabel (Bárbara Luz), de 17 anos, perdeu a avó recentemente; ela vive reclusa e tenta seguir os dias, difíceis pela ausência daquela mulher que era uma segunda mãe. Ao retornar ao apartamento onde a avó morava, Anabel se depara com uma vizinha com quem não tinha contato, Meiko (Sharon Cho). Pela fresta da porta, ela observa a garota oriental, e seu semblante chama sua atenção. Aos poucos Anabel e Meiko desenvolvem uma forte conexão - juntas, ora no apartamento de uma, ora no da outra, dançam, dividem segredos e compartilham sentimentos particulares, e muito próximos ao mundo das duas, como solidão e necessidade de pertencimento. O preto-e-branco é o charme desse filme independente, uma estética que dramatiza as passagens e reforça a ideia do luto e da reconstrução. É uma obra sobre amadurecimento e reencontros inesperados, com bonitas imagens (internas e externas), jogo de sombras muito bem planejados e longos planos. O ritmo lento, a falta de trilha sonora e o silêncio da protagonista trazem uma atmosfera de suspensão do tempo, em mais um trabalho intimista do premiado cineasta carioca de “Sudoeste” (2012) e “Unicórnio” (2018). Exibido no Festival do Rio em 2023, foi produzido pela 3 Tabela Filmes, com coprodução do Bando à Parte. Está nos cinemas brasileiros, com distribuição da 3 Tabela Filmes 

  As correntes

Em seu mais novo longa-metragem, a cineasta argentina, mas radicada na Suíça, Milagros Mumenthaler firma-se como uma das grandes vozes do cinema feminino latino-americano da atualidade. A sensibilidade ao retratar mulheres em crise se constrói novamente aqui, numa narrativa marcada por dilemas e crises emocionais. Lina (Isabel Aimé González-Sola, de “Feliz aniversário”), estilista argentina no auge da carreira, viaja à Suíça para receber um prêmio. Em um gesto inesperado, ela se joga no Ródano, o principal rio que corta o país. Dias depois, ao retornar a Buenos Aires, percebe que está diferente; ela desenvolve fobia à água, sente algo estranho por dentro, completamente transformada. Lina guarda segredo sobre o episódio do rio, e nota que seus pensamentos são outros, inclusive na relação com as pessoas. É uma obra metafórica, intimista, cujas correntes do rio, que vão e vem, tornam-se um elemento significativo no filme, que remete à vulnerabilidade e desajustes do mundo da estilista, revelando como o sucesso pode esconder fragilidades profundas. O filme também traz momentos reflexivos e outros contemplativos, principalmente na bela fotografia de cidades suíças como Genebra e as do rio Ródano. Para marcar a ideia de antíteses e dilemas da protagonista, o filme procura contrapor ambientes de luzes com as águas do rio, que reforçam a sensação de transformação. Obra de rara beleza, uma experiência também sensorial, num filme toca no âmago. Exibido nos festivais de San Sebastián (onde ganhou um prêmio especial), Toronto e Rio, estreia essa semana no Brasil, com distribuição da Filmes do Estação. 

  O bolo do presidente 

Vencedor de dois prêmios no Festival de Cannes do ano passado (Golden Camera e o Prêmio do Público da Quinzena dos Cineastas), a coprodução Iraque, Catar e Estados Unidos é um drama político que se constrói na intersecção entre memória e alegoria social. Em seu primeiro longa, o diretor e roteirista iraquiano Hasan Hadi parte de um episódio banal para narrar uma epopeia infantil na Guerra do Golfo, em 1990: a preparação de um bolo para o aniversário do presidente Saddam Hussein. Na escola, um professor distribui funções para cada aluno, e fica para Lamia, uma garotinha de nove anos, a confecção do bolo. A população do país enfrenta o caos e a miséria no regime de terror de Hussein, a Guerra do Golfo está em andamento, o cenário é desolador com uma paisagem de escassez. Lamia, que mora com a família humilde, tem de encontrar maneiras para entregar o que lhe foi pedido, já que os ingredientes básicos estão em falta por causa da guerra com o Kuwait. Em companhia da avó Bibi (Waheed Thabet Khreibat), do astuto amigo Saeed (Sajad Mohamad Qasem) e de um galo de estimação, Lamia cruza a cidade determinada a comprar ovos, farinha e açúcar, tendo de negociar com vendedores e até com a polícia. Tudo isso porque a escola segue a rígida disciplina de obediência ao chefe maior do país, então a menina é obrigada a entregar o bolo, como manifestação de lealdade. O filme tem relação direta com os cult movies iranianos que dominaram o cinema nos anos 90, desde a própria história, uma fábula moderna, de algo cotidiano que se transforma numa experiência de sobrevivência, até o formato de gravação, com aspecto de filmes caseiros antigos - reúne também cenas reais de Saddam e de seus soldados, gravados pela mídia local e de vídeos oficiais do Estado. Discutem-se aqui temas sérios e críticos como alienação coletiva e autoritarismo que permeava o regime iraniano da época, tendo o tal bolo como símbolo de submissão e celebração forçada (que revela a violência estrutural, muitas vezes disfarçada, que sustentava o governo de Hussein). Exibido na Mostra Internacional de Cinema de SP de 2025, o filme estreou nos cinemas no último fim de semana, pela Kajá Filmes. 

  Amor apocalipse 

Comédia romântica sentimental, com um roteiro que fica longe da obviedade, que se situa num pré-apocalipse capaz de colocar fim ao planeta. Nesse momento de incertezas, surge uma inesperada ligação afetiva entre um rapaz depressivo (Patrick Hivon), dono de um canil, e uma jovem feliz da vida (Piper Perabo), que trabalha em uma empresa de lâmpadas solares terapêuticas. O mundo está prestes a acabar, com ruas devastadas e gente fugindo, mas os dois, ao se encontrar, parecem ter algo de bom para compartilhar nesses dias tensos. O apocalipse funciona como alegoria dos temores atuais e também uma moldura para destacar a resiliência dos vínculos humanos – a pergunta que o filme tenta responder é “Pode o amor nascer num ambiente de catástrofe anunciada”? O roteiro combina ironia com delicadeza, alternando momentos de riso com instantes de emoção, trazendo atuações sinceras dos dois protagonistas (destaque para a americana indicada ao Globo de Ouro Piper Perabo, que surgiu no fim dos anos 90, em fitas populares como “Showbar”, depois sumiu, reapareceu em fitas B e agora presente em seriados de sucesso como “Yellowstone”). Com direção de Anne Émond (de “A jovem Juliette”), o filme, uma produção canadense, participou de festivais como Cannes (na Quinzena dos Cineastas), Toronto e a Mostra Internacional de Cinema de SP, e agora estreou em salas de cinemas do Brasil, com distribuição da Synapse Distribution. 

  Buenos Aires 

Buenos Aires é aqui, no sertão pernambucano! A partir dessa ideia meio maluca, o inusitado documentário brasileiro investiga a relação dos argentinos com o Brasil, mais especificamente com a Zona da Mata de Pernambuco, no coração do Nordeste. Lá, existe um município chamado Buenos Aires, onde boa parte dos moradores falam espanhol. Eles conhecem profundamente a História da capital argentina e adoram um esporte tradicional de lá, o futebol (inclusive cultuam o jogador Messi). Uma professora de espanhol conduz o cativante doc trazendo as referências de personagens e lugares daquela cidadezinha de 13 mil habitantes, localizada a 79 km do Recife, marcada por paisagem de contrastes sociais. Nunca houve vestígios da passagem de portenhos pela região, portanto o mistério acerca das origens de Buenos Aires ronda o imaginário popular, bem como o estudo dos historiadores. Dirigido pela cineasta pernambucana Tuca Siqueira (que conheceu a fundo a cidade na última década), a mesma diretora de “Iracemas”, o filme, que originalmente se chamaria “Buenozaire”, acompanha a rotina dos habitantes e os fortes vínculos deles com o país vizinho – em certo momento, vê-se inclusive casas pintadas com diversas cores, como se fossem o Caminito argentino. O filme carrega um tom de fábula, tem uma narrativa simples, mas que prende a atenção pelas histórias de seus personagens (muito legais para se conhecer). Produção da Garimpo Filmes, estreou nos cinemas no último fim de semana, com distribuição da Arthouse Distribuidora.  

  Olhe o mar 

Coproduzido pela Disney e em exibição nos cinemas brasileiros pela Autoral Filmes, a comédia dramática franco-belga é uma adaptação de um filme mexicano de 2018 chamado “Ya veremos”, agora assinado por Emmanuel Poulain-Arnaud (de “O teste”). A maior alteração de um filme para o outro está na idade do personagem central – antes uma criança, agora um adolescente. O longa acompanha Chris (Audrey Fleurot) e Antoine (Dany Boon), pais divorciados que mal conseguem conviver, mas são obrigados a deixar de lado as desavenças quando descobrem que Milo (Ewan Bourdelles), de 16 anos, sofre de uma doença rara e degenerativa nos olhos, a retinite pigmentosa, que o levará à cegueira total. Os dois combinam uma viagem diferente com o menino, até a praia de Hossegor, no sudoeste da França, para que veja o mar pela última vez. O filme com tom de despedida equilibra momentos de ternura e humor, em torno de uma viagem que será tanto física quanto emocional (tendo o mar como metáfora dos turbilhões emocionais daquela família). O diretor Poulain-Arnaud, que já explorou dinâmicas familiares em obras anteriores, opta por sutilezas e cenas afetivas para suavizar a dureza da história (ele utilizou como base uma dolorosa experiência real, quando foi acometido por um câncer e por pouco não faleceu). O bom trabalho do elenco (com destaque para o comediante Dany Boon, aqui mais contido e mais dramático) se alia a uma belíssima fotografia litorânea, que valoriza o mar e as praias da charmosa região. Prepare os lenços para um filme de pura emoção.

  Labirinto dos garotos perdidos.

  Novo filme de terror B queer do jovem cineasta paulistano Matheus Marchetti, que parece encerrar uma trilogia com personagens saídos do universo da fantasia e do sobrenatural, formada anteriormente por “As núpcias de Drácula” (2018) e “Verão fantasma” (2022). Com uma estética que lembra teatro (poucos atores em cena num ambiente fechado), o filme acompanha Miguel, um rapaz do interior que chega à cidade grande e se envolve em encontros inesperados com homens que o desejam de forma voluptuosa. Um assassino de gays ronda a noite, colocando-o sob a mira do criminoso. Novamente Marchetti desconcerta o público em uma narrativa ousada, com cenas fortes de sexo, em uma trama de muitas camadas, que transita entre horror, fantasia e romance. A atuação do elenco se assemelha à performance artística, como se fosse uma peça filmada que encarna poesia, movimentos de dança e experimentações estéticas, tudo em um cenário multicolorido (o onírico carrega traços até de “Suspiria”, de Dario Argento). É uma fábula urbana repleta de sedução, desejo e perigo constante - o longa foi exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e no Fantaspoa de 2025, confirmando o diretor como um dos nomes mais instigantes do cinema independente brasileiro contemporâneo. PS: Foi escolhido como o primeiro lançamento brasileiro nos cinemas pela Filmicca, plataforma de streaming dedicada ao cinema autoral e cult (que conta com curadoria voltada a obras de mulheres, narrativas negras e LGBTQIAPN+). Estreou na última semana, em salas selecionadas. 

  Criadas

Primeiro longa da cineasta Carol Rodrigues, o filme sobre racismo estrutural estreou nos cinemas brasileiros na última semana, com distribuição da Vitrine Filmes. A abordagem sensível (e cheia de simbolismos nas entrelinhas) das marcas do racismo e das contradições familiares marcam o longa que tem um tema urgente. Ele mistura drama psicológico e realismo fantástico para transformar uma casa em espaço vivo de memórias, afetos e violências que atravessam gerações. A premissa é o reencontro das primas Sandra (Mawusi Tulani), mulher negra retinta, e Mariana (Ana Flavia Cavalcanti), negra de pele clara, que cresceram juntas na mesma residência, mas em posições sociais distintas. Sandra retorna para buscar uma fotografia da mãe, antiga empregada doméstica da família, e topa com Mariana vivendo naquele lugar. Esse reencontro desperta lembranças da infância, mas também ressentimentos, revelando feridas não cicatrizadas. Entra em cena Raquel (Rudmira Fula), imigrante angolana responsável pela limpeza da casa. Aquela antiga residência vai além de um mero cenário: torna-se personagem central, já que nela se cruzam passado e presente, expondo hierarquias raciais e sociais ainda vigentes. O longa discute ainda precarização do trabalho, ancestralidade, solidão, invisibilidade profissional e o peso do trabalho doméstico nas relações brasileiras, utilizando um tom sobrenatural para tensionar memórias coloniais – são muitos temas, mas são bem delineados nesse drama íntimo e muito pessoal. Produzido ao longo de oito anos, “Criadas” é inspirado em vivências da própria família da diretora e roteirista Carol Rodrigues. Conquistou o prêmio de melhor atriz para suas protagonistas, Mawusi Tulani e Ana Flavia Cavalcanti, na mostra Novos Rumos do Festival do Rio de 2025. Com produção da Gato do Parque Cinematográfica, em coprodução com Telecine, Canal Brasil, NayMovie, Cinefilm, Volta Filmes e Netas de Esméria, está nos cinemas com distribuição da Vitrine Filmes. 

E seus filhos depois deles 

Dirigido por Ludovic e Zoran Boukherma (irmãos gêmeos franceses), de “Teddy” (2020), o drama premiado nos Festivais de Veneza e Sevilha de 2024 tem como inspiração o romance homônimo vencedor do Prêmio Goncourt de Nicolas Mathieu, de 2018. É um retrato intenso da juventude francesa dos anos 1990, um típico “Coming of age” que acompanha a passagem da infância para a adolescência de Anthony (vivido pelo ator Paul Kircher), período marcado pela descoberta do sexo, rivalidades e o peso da desigualdade social. A história se desenrola em Heillange, um vale esquecido no leste da França, onde o calor sufocante do verão de 1992 serve de pano de fundo para encontros e conflitos. Anthony, de 14 anos, vive grudado com o primo, curtem um lago próximo da cidade e lá ele conhece Steph (Angelina Woreth). A menina será seu primeiro amor; para impressioná-la, decide pegar a moto do pai sem permissão e ir a uma festa, onde cruzará o caminho de Hacine (Sayyid El Alami), jovem rebelde de origem árabe. A tensão entre os dois rapazes se estenderá por anos a fio, com brigas violentas no meio da rua, ameaças e vingança. A história acompanha quatro anos na vida de Anthony (no caso, quatro verões), nos quais os destinos de Anthony, Steph e Hacine se entrelaçam. O amor juvenil e a falta de perspectivas se mesclam em uma comunidade marcada pela estagnação econômica e o preconceito racial (que reflete muito da França daquela época). Os diretores conseguiram reunir romance juvenil e drama social de uma forma orgânica, altamente crítica e super pessoal, que gera interesse do público jovem e dos adultos. O carismático ator Paul Kircher entrega um grande trabalho, por isso recebeu o prêmio de “Jovem ator” no Festival de Veneza. O filme está nos cinemas pela Imovision. 

  Eternidade 

Após passar nos cinemas brasileiros em dezembro de 2025, chega agora na Apple TV essa comédia romântica fantasiosa sobre vida após a morte, que é um deleite, um entretenimento de qualidade que serve para consumo a todos os públicos (o longa é original da A24 em parceria com a AppleTV). Quando o assisti, essa semana, lembrei imediatamente de dois filmes de comédia dos anos 90 que me marcaram na infância, “Um visto para o céu” (1991) e “Morrendo e aprendendo” (1993), que tratam de espíritos decidindo se vão ou se ficam. Há inclusive situações bem semelhantes entre os três títulos. Em “Eternidade”, cada pessoa, após morrer, tem uma semana para decidir onde e com quem passará o resto da eternidade. Os espíritos dos recém-falecidos esperam numa espécie de limbo; nesse lugar se encontram três personagens: Larry (Miles Teller), Joan (Elizabeth Olsen) e Luke (Callum Turner), num dilema metafísico que se transforma em uma jornada de encontros e desencontros repleto de romance e confusões. A narrativa segue um fluxo de momentos absurdos, ironicamente brincando com o tema da morte de forma leve e explorando a ideia de que até no além a convivência continua sendo determinante. Com ritmo ágil e humor afiado, a obra traz reflexões existenciais em uma comédia simpática, cuja atmosfera oscila entre o surreal e o cotidiano. O trabalho sem exagero dos três atores centrais é outro chamariz para o divertido filme.
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Sobre o Colunista:

Felipe Brida

Felipe Brida

Jornalista, cr?tico de cinema e professor de cinema, ? mestre em Linguagens, M?dia e Arte pela PUC-Campinas. Especialista em Artes Visuais e Intermeios pela Unicamp e em Gest?o Cultural pelo Centro Universit?rio Senac SP, ? pesquisador de cinema desde 1997. Ministra palestras e minicursos de cinema em faculdades e universidades, e ? professor titular de Comunica??o e Artes no Imes Catanduva (Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva), no Senac Catanduva e na Fatec Catanduva. Foi redator especial dos sites de cinema E-pipoca e Cineminha (UOL) e do boletim informativo "Colunas e Notas". Desde 2008 mant?m o blog "Cinema na Web". Apresenta quadros semanais de cinema em r?dio e TV do interior de S?o e tem colunas de cinema em jornais e revistas de Catanduva. Foi j?ri em mostras e festivais de cinema, como Bag?, An?polis, Bras?lia e Goi?nia, e consultor do Brafft - Brazilian Film Festival of Toronto 2009 e do Expressions of Brazil (Canada). Ex-comentarista de cinema nas r?dios Bandeirantes e Globo AM, foi um dos criadores dos sites Go!Cinema (1998-2000), CINEinCAT (2001-2002) e Webcena (2001-2003). Escreve resenhas especiais para livretos de distribuidoras de cinema como Vers?til Home V?deo e Obras-primas do Cinema. Contato: felipebb85@hotmail.com

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