RESENHA CRÍTICA: O Apocalipse (Left Behind)
Pode ser visto como comédia e chanchada e nesse caso melhora bastante...
O Apocalipse (Left Behind)
EUA, 2014. 110 min. Com Nicolas Cage, Chad Michael Murray, Lea Thompson, Nicki Whelan, Casi Thomson, Bordin Sparks.
Difícil de acreditar que as dívidas de Nicolas Cage tenham chegado a tal ponto, dele continuar fazendo filmes classe C, que estreiam quase simultaneamente (como é o caso de Fúria, previsto para estes dias). E tem pelo menos outros cinco em andamento! Dirigido por um especialista em stunts (cenas de perigo, fez mais de 117!) Vic Armstorng, que há muito tempo (em 1993) realizou Joshua Tree, com Dolph Lundgren.
O importante é ressaltar que esta é uma refilmagem de um livro que virou filme (e teve continuações), chamado justamente de Deixado para Trás (2000), com o ator de TV Kirk Cameron, que saiu direto em Home Video e depois teve duas continuações: Comando Tribulação (02) e o recente Mundo em Guerra (05). E o mais curioso: todos eles foram produzidos e financiados como propaganda religiosa desse grupo mórmon ou coisa que o valha, que tentam ilustrar sua tese de como o mundo irá acabar! Quem escapa quem se salva segundo o apocalypse deles!
Tudo bem, todo mundo tem direito a se divulgar, mas uma figura como o Sr. Coppolla Cage já é demais de cara de pau (rodado em Jerusalém, Canadá, Chicago, Rolls e Waynesville Missouri). O orçamento que eles anunciaram foi de 16 milhões de dólares e a renda até agora de 10.9 milhões agora em maio. Mas seu mercado obviamente não está em salas, mas no home video, igreja e escolas.
Novamente o sol nasceu para todos, mas é difícil se esbarrar num filme, mesmo para os padrões de Cage, tão ruim, tão fraco, tão mal feito. Ele faz Ray, um mal humorado piloto porque sua mulher recentemente encontrou “Jesus” enquanto ele não tem problemas em ser adúltero. A crise vem quando milhões de pessoas desaparecem (deixando para trás pilhas de roupas!) e esta para acontecer o chamado Rapture, o Apocalipse segundo a Igreja deles. Enquanto isso sua filha está ocupada se tornando uma heroína enfrentando diálogos ridículos e situações absurdas.
E olhe que estou sendo discreto. O LA Times chamou o filme nas primeiras linhas da crítica de “execrável reboot” do anterior, que vai ganhar o próximo Razzie, que traz a pior interpretação de um vencedor do Oscar® em todos os tempos, que parece um zombie, e um insulto para quem acredita nesse tipo de discussão espiritual. E isso tudo só no primeiro parágrafo... Ah, sim, pode ser visto como comédia e chanchada e nesse caso melhora bastante...
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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