RESENHA CRÍTICA: Amantes Eternos (Only Lover Left Alive)
Com elenco enxuto, o filme carece de um humor que sempre permeava os trabalhos anteriores de Jarmush
Amantes Eternos (Only Lover Left Alive)
Alemanha/ Reino Unido/ França/Chipre, 2013. Direção de Jim Jarmusch. Com Tom Hiddleston, Tilda Swinton, Mia Wasikowska, John Hurt, Anton Yelchin. 123 min.
Nunca fui admirador de Jarmusch e não vai ser agora que vou me derramar em elogios quando ele já esta preguiçoso, quatro anos depois do anterior e muito pouco visto (Os Domínios do Controle/The Limits of Control, 09) que fez na França com a mesma Tilda Swinton (esta sim indestrutível cheia de mistério e classe).
Exibido em Cannes mas não premiado, o filme carece de um humor que sempre permeava seus trabalhos. Continua minimalista explicando o mínimo possível (se bem que lidando com temas mais que conhecidos, realmente não há necessidade, embora ele tivesse esquecido de mencionar que o Adam e Eve que citava não era da Bíblia, mas de uma obra de Mark Twain! O que muda tudo...). Mas a escolha do vampiro roqueiro é adequada na figura melancólica, mas carismática de um ator do momento: o britânico Tom HIddleston (Thor).
O elenco é muito enxuto, com Tom como o vampiro Adam que tem um único e jovem amigo Ian (Anton Yelchin, que não sabe muito dos segredos). Enfadado de quase tudo, ele vive numa casa velha numa espécie de Casbah ocidental consultando médico (Jeffrey Wrigth) e um velho (John Hurt). Sua vida se anima um pouco quando recebe a visita da vampira de sua vida, que o compreende e ama, Eve (Tilda) e vem lhe fazer uma visita. Infelizmente aparece também a irmã mais nova dela (Mia Wasikoswka) que novamente se revela inconveniente.
O filme é apenas isso, uns pares de noites na companhia do entediado casal que se queixa da humanidade que esta destruindo a natureza e onde a música de guitarra parece ser um ocasional alivio.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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