RESENHA CRÍTICA: Porta dos Fundos: Contrato Vitalício

A Imprensa, os colegas irão curtir mais o filme do que o espectador comum

30/06/2016 14:15 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: Porta dos Fundos: Contrato Vitalício

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Porta dos Fundos: Contrato Vitalício

Brasil, 16. 100 min. Direção de Ian SBF. Com Fabio Porchat, Xuxa, Gregório Duvivier, Marília Gabriela, Anitta, Thathi Lopes, Sergio Mallandro, Nelson Rubens, Louis Lobianco, Alexandro Ottoni, Julia Rabello, Rafael Portugal, Chan Suani, Marcos Veras.

Nunca é demais se louvar o trabalho dos criadores e interpretes do grupo Porta dos Fundos, já um marco no humorismo brasileiro que revelou um grande número de comediantes de primeira linha, já consagrados pelo público, ainda que a precisão de seus sketchs na Internet seja tão brilhante, que ofusca outras tentativas. Funcionando mesmo quando fazem sátiras políticas (mesmo internacional) e sociais, sempre num timing perfeito e uma edição brilhante. Por isso, que este anunciado como o primeiro longa do Porta dos Fundos vai provocar uma reação contraditória dentre seu público. Quem dirigiu foi Raul Samarão Brandão Fernandes, sócio fundador da Porta. Na verdade, não há grande novidade em observar cineastas e atores, satirizando ferozmente sua profissão e seus problemas. Não há sátira política aqui (nem mesmo na busca de ajuda do governo para fazer longas, o que esta muito na moda) nem qualquer denúncia mais forte. Basicamente é um virulenta brincadeira com celebridades (com brincadeiras engraçadas e que não chegam a ofender) e cineastas brasileiros (difíceis de identificar, o que torna mais difícil levar a sério o pandemônio que vai num crescendo ate uma conclusão por assim dizer “clássica”).

O título se justifica porque fala de dois amigos, um ator Rodrigo famoso (Fabio Porchat, que evita o exagero ou ao menos o excesso do exagero ) e um diretor Miguel (Gregorio Duvivier, prejudicado por bater sempre na mesma tecla) que estão no Festival de Cannes (não rodado por lá) quando tem a surpresa de verem seu filme premiado. Isso leva Fabio a assinar num pedaço de papel comprometendo-se de que para o resto da vida fará todos os filmes do diretor, o tal do contrato vitalício. O problema é que Miguel desaparece e durante dez anos nunca mais é visto, retornando com uma teoria de que foi vitima de uma civilização que viveria no centro da Terra e pretende dominar os humanos! Rodrigo reluta em topar fazer o filme, mas ele vai sempre sendo levado a adiante (embora para o espectador fique difícil de acreditar que tal caos possa resistir!).

Enfim, começa engraçado e brinca com publicitários, agentes e a fauna da classe (talvez as melhores piadas ficam com Luis LoBianco, mas o melhor e mais saboroso certamente é a preparadora de atores que é uma citação que infelizmente só o que são da classe cinematográfica saberão curtir!) mas a brincadeira vai se esvaindo e se tornando amarga e até triste. Ou seja, a imprensa, os colegas irão curtir mais o filme do que o espectador comum.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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