RESENHA CRÍTICA: O Lobo Atrás da Porta
Rubens Ewald FIlho: Um primeiro longa digno de Fernando Coimbra.

O Lobo Atrás da Porta
Brasil, 2013. Direção e roteiro de Fernando Coimbra. Com Leandra Leal, Milhem Cortaz, Fabiula Nascimento, Juliano Cazarré, Isabelle Ribas, Tamara Taxman.
Premiado em Havana, San Sebastian, Rio, Miami, este é um bom filme que parte de uma idéia interessante: é inspirado em fato real que teve muita repercussão ainda nos anos 60 apelidado de A Fera de Penha! Tão boa que deu origem a um filme hoje esquecido, mas de qualidade, que se chamou Crime de Amor (1965), foi dirigido por Rex Endsleigh com Beyla Genauer no papel central, Joana Fomm ótima como a mãe (foi sua revelação) e o galã de televisão Carlos Alberto como o marido. Um filme tão raro hoje em dia que não existe nem registro no IMDB.
Mas existiu e era bem feito e felizmente aqui se optou por outra leitura mais contemporânea, mais adequada à figura de Leandra Leal, com ar de anjo e comportamento de demônio e um final mais aberto e cínico. De qualquer forma, a história não envelhece. Leandra começa a ter um casinho com um homem casado e pai de filha (Milhem Cortaz) que ao perceber que se meteu com um problema, uma mulher ciumenta e difícil, vai se afastando. Mas ela esperta descobre onde ele mora e se infiltra na casa, se passando por sua mulher (Fabiula Nascimento mais uma vez se sai muito bem). Um primeiro longa digno de Fernando Coimbra.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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